(Por Gabriel Codas) O Brasil, ao lado da Turquia, é um dos países com a maior taxa de juros reais do mundo, o que, além de aumentar o custo de empréstimos para as pessoas comuns e empresas, também representa um gasto bastante elevado para o próprio governo brasileiro. Como alternativa para reduzir estes custos, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) defende um corte de 5,75 pontos percentuais na taxa Selic até o final do ano.

O Ipea, que é ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, calcula que com a nova taxa de juros da economia o governo economizaria até R$ 43 bilhões, o que permitiria mais investimentos no país em um momento que o mundo é fortemente atingindo pela crise econômica.

O instituto argumenta que as perdas previstas com arrecadação de impostos neste ano, já que a economia desacelerou, pode ser compensada com o corte mais expressivo nos juros brasileiros. Com isso, o orçamento não precisaria ser revisto e o governo daria continuidade aos investimentos e programas sociais do governo que sustentem a expansão da economia local.

O diretor de Estudos Macroeconômicos do Ipea, João Sicsú, sugere o corte imediato de 12,75% para 7% ao ano da Selic, já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para próxima semana. “Reduzir significativamente os juros é uma medida que tem mais impacto fiscal do que os efeitos reais para a economia. Isso porque a crise de confiança não é superada apenas com a redução do custo do dinheiro”, disse.

O instituto entende que neste momento a gestão fiscal ideal deve levar em conta a manutenção da atividade econômica, redução do desemprego, administração da dívida pública e a melhora das condições sociais no país.

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