Portoalegrenses, Curitibanos, Belorizontinos, Soteropolitanos,
paulistas e cariocas. Tivemos festival de sotaques desde a fila de
entrada para a edição paulista do festival Just A Fest que aconteceu no
último domingo, dia 22, na Chácara do Jóquei.
 
Vans e mais vans
chegavam sem parar à zona sul da capital paulista desde às 14h (horário
de abertura dos portões), trazendo milhares de fãs de todo o Brasil
para a apresentação histórica do Radiohead, acompanhados pelo seminal
Kraftwerk e pelos reformados Los Hermanos.
 
A chuva que ameaçava
desabar na cabeça do público não veio e deu lugar a um belo sol de fim
de tarde enquanto a multidão começava a se aproximar do grande palco,
onde finalmente os fãs poderiam ver a mística apresentação do quinteto
de Oxford.

A festa começou pontualmente às 18:30h quando os
cariocas barbados dos Los Hermanos subiram ao palco para uma
apresentação antológica frente ao grande publico que já lotava o local.

Em
um show mais emocionado do que técnico, o quarteto matou a saudade dos
fãs apaixonados de ouvir clássicos como Cara Estranho, Além do Que se
Vê, O Vencedor, O Vento
e a música de abertura Todo Carnaval Tem Seu
Fim
, que fez tremer o chão da capital paulista.

A banda ainda
aproveitou pra tirar a poeira de Cher Antoine, Último Romance e Do
Sétimo Andar
, todas cantadas em uníssono do começo ao fim, o que sempre
marcou as apresentações dos cariocas.

Visivelmente felizes com o
resultado do show, os Hermanos abriram espaço para os alemães do
Kraftwerk, liderados pelo último membro remanescente da formação
original, Ralf Hütter.

Dando um banho de apresentação
audiovisual, os quatro robôs passearam por todos os seus maiores
clássicos como Autobahn, Tour de France, Radioativity, The Man Machine
e Boing Boom Tschak, enquanto na galera o público pirava a cada imagem
sincronizada pelo quarteto, em um show único e digno de notas altas.

O
ponto alto foi uma versão inusitada de Showroom Dummies com a letra
cantada em  português, que arrancou gritos de empolgação da platéia. O
show inteiro foi hipnótico e intenso, com o som perfeitamente
equalizado e sem nenhum ruído que pudesse prejudicar a apresentação
acertadíssima do Kraftwerk.

Mas nada podia preparar o público
para a avalanche de luz e som que Thom Yorke e seu Radiohead prepararam
para essa turnê sulamericana.

A mega-estrutura fez com que 15
Step, Karma Police, Jigsaw Falling Into Place, Lucky, Weird
FishesArpeggi
e All I Need ganhassem em impacto frente aos fãs, que não
conseguiam tirar os olhos de cima do palco e se punham a cantar a
plenos pulmões, como se não houvesse amanhã.

Climbing Up The
Walls
foi um show a parte. Fãs chorando, sorrindo, brindando e pulando
para celebrar a vinda da tão esperada banda ao Brasil. Incrível é pouco
para descrever o que aconteceu no meio do povo nesta música. Foi
realmente um momento único.

No primeiro bis, Videotape, Paranoid
Android
e Fake Plastic Trees. Mas o público veio realmente abaixo
quando o Radiohead tocou Creep. As lágrimas pipocaram em todos os
cantos do festival, algumas de emoção, outras de alegria.

No fim
das contas foi um festival para entrar pra história. Sem brigas, sem
maiores incidentes, sem problemas com som, sem atrasos e sem caos. 30
mil pessoas tiveram a chance de ver três grandes shows, de três bandas
únicas no cenário atual.

Esperamos que isso sirva de exemplo
para outros festivais e que ainda tenhamos muitos momentos antológicos
desses para podermos passar mais algumas belas tardes de domingo vendo
bandas desse calibre.

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