Neste domingo, dia 5 de abril, completam-se 15 anos desde o trágico e controverso suicídio do emblemático líder do Nirvana, o guitarrista e compositor Kurt Cobain, que suicidou-se com um tiro na cabeça em sua casa e só foi descoberto três dias depois.

“O fato é que eu não posso enganar vocês, ou qualquer um, simplesmente não é justo para mim nem para vocês. O pior crime que eu posso pensar seria o de enganar as pessoas ao fingir que estou me divertindo 100%”, escreveu o vocalista em seu bilhete suicida. “Sou uma pessoa de humor muito errático e não tenho mais a paixão. Paz, amor, empatia – Kurt Cobain.”

Só essa frase já diz muito sobre a personalidade conturbada do músico, que passou todos os seus dias lutando contra o estigma de rockstar e tentando desvencilhar-se dos cichês e chavões que perseguiam sua obra e a música de sua banda. Para ele, o sucesso foi a benção e a maldição.

Estourando com seu segundo disco, o influente Nevermind, o Nirvana deu um salto meteórico do total anonimato para o mega-estrelato sem fazer nenhuma escala, o que acabou por tornar o espírito do vocalista mais e mais inquieto.

Seguidamente criticado pela geração anterior do rock, como por exemplo Gene Simmons do Kiss, Cobain vivia entre a cruz e a caldeirinha de seus fãs apaixonados e do desgosto de ter seus ídolos o espizinhando por conta de suas letras tristes.

Vários rockstars veteranos não gostavam do Nirvana, dizendo que o trio de Seattle havia acabado com a festa no mundo do rock, transformando os fãs do estilo em depressivos e infelizes, assim como os próprios eram vistos pelas bandas mais experientes.

Apesar disso tudo, o barulho conseguido pela banda continua tendo seus efeitos sentidos até hoje, já que em média ainda se vendem cerca de 230 mil cópias de seu álbum Nevermind e 120 mil do MTV Unplugged anualmente.

Mais do que as músicas de Cobain, suas entrevistas e atitudes acabaram por formar as opiniões e o caráter de toda uma geração de roqueiros. Bem ou mal, o vocalista era um modelo de comportamento para uma juventude que não via mais motivos para festejar o tempo todo.

No quesito musical, o grunge encabeçado pelo Nirvana rompeu de vez com o sexismo do punk e com o que estava sendo tocado nas FMs americanas, trazendo de volta a agressividade para as paradas de sucesso do mundo todo.

Atualmente, mesmo com crise e com o declínio geral e absoluto das vendas de disco, o trio de Seattle já rendeu até agora pouco mais de US$ 2.3 milhões em licenças para a empresa Primary Wave, que em 2006 pagou US$ 50 milhões à Courtney Love por 50% dos direitos sobre o catálogo do Nirvana.

Para marcar os 15 anos do falecimento de Cobain, A gravadora Original Recordings Group reeditará em vinil os grandes sucessos da banda. Ainda em 2009, irão sair em vinil os álbuns Nevermind (1991), que será o primeiro a chegar às lojas, assim como In Utero e Unplugged.

Muita mística ainda cerca o estranho episódio da morte do cantor. O maior deles é o laudo de perícia acerca do suicídio deixar a entender que uma pessoa que tomou a quantidade de heroína que ele tomou antes de tirar a própria vida tornaria impossível o ato de puxar o gatilho de uma espingarda.

Os fãs mais xiitas e a teoria da conspiração pregam que a sua ex-esposa e líder do Hole, Courtney Love, seria a grande responsável pelo fato e que o líder do Nirvana teria sido assassinado e não suicidado-se.

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