Após anunciar que deixaria a liderança do partido em caráter “irrevogável”, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) voltou atrás e disse que vai permanecer no cargo. A decisão foi anunciada em discurso na tribuna do Senado na manhã desta sexta-feira (21).

Mercadante disse que a conversa com Lula durou cinco horas na noite de quinta-feira (20). Na ocasião, Lula pediu para o petista ficar. Em seu pronunciamento, Mercadante argumentou que diante do pedido de Lula não poderia deixar o cargo.

“Não tenho como dizer não a um pedido do meu companheiro”, afirmou Mercadante depois de lembrar a história e os tempos de criação do partido.

O senador falou em frustração e desilusão e descrença política ao lembrar o episódio no Conselho de Ética. Disse que sempre foi favorável à investigação dos atos secretos porque contrariam o princípio constitucional da igualdade e da transparência, mas defendeu uma investigação respeitando o direito de defesa.

“Nunca aceitei o caminho fácil da condenação sem defesa, do pré-julgamento do tribunal de exceção, ainda que seja mais fácil do ponto de vista eleitoral”, disse.

Histórico

Mercadante havia anunciado a intenção de deixar o cargo de líder do partido no Senado há alguns dias, desde que o impasse da bancada em torno do apoio ao presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), intensificou-se.

O arquivamento das acusações contra Sarney pelo plenário do Conselho de Ética, na última quarta, enfraqueceu ainda mais a liderança do petista. Os votos dos senadores do partido no colegiado foram fundamentais para o arquivamento das ações. Mercadante defendia a abertura de pelo menos uma acusação contra Sarney.

Mercadante recua e diz que não deixa liderança do PT

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