Aos 82 anos e vítima de uma pneumonia agravada por um câncer pulmonar, o ex-presidente da Argentina Raúl Alfonsín morreu na noite de terça-feira (31/03), em Buenos Aires. Segundo Alejandro Sandler, médico do ex-presidente, o câncer prejudicava a saúde de Alfonsín desde 2007. “Morreu tranquilo, com muita paz e em sua casa, acompanhado por todos seus familiares, como ele queria”, disse o médico.

Ele explicou que o ex-chefe do Estado (1983-1989) “estava adormecido” quando morreu, e lembrou que Alfonsín, que tinha um câncer pulmonar com metástase óssea, “teve um quadro de pneumonia aspirativa nos últimos dias” e que “isso causou sua morte”.

A última aparição pública de Alfonsín aconteceu em outubro do ano passado, na inauguração de um busto de sua imagem no salão da Casa Rosada. O evento ocorreu para relembrar os ex-presidentes do país, uma homenagem comandada pela atual chefe de Estado, Cristina Kirchner.

O ex-governante, principal nome da centenária União Cívica Radical (UCR), hoje na oposição, foi o grande ausente nas festas de 25 anos da redemocratização argentina, celebrados em 30 de outubro de 2008.

Uma vida dedicada a democracia

Alfonsín, nascido em 12 março de 1927, na cidade de Chascomús (província de Buenos Aires), foi o primeiro presidente democrático da Argentina após sete anos de ditadura militar (1976-1983).

Numa era repleta de breves períodos democráticos interrompidos por golpes militares, ele foi um dos fundadores da Assembleia Permanente pelos Direitos Humanos (APDH), pioneira na luta contra o autoritarismo e a repressão ilegal.

Além disso, o líder radical conseguiu algo que poucos de seus correligionários conseguiram: vencer nas urnas o Partido Justicialista nas eleições que marcaram o fim da ditadura.

Apesar de ter enfrentado obstáculos e pressões para consolidar a democracia na Argentina, Alfonsín conseguiu com que, em 1985, fosse realizado um histórico julgamento, que resultou em duras penas para os hierarcas do regime que sequestrou, torturou e fez desaparecer milhares de pessoas.

Em virtude do avanço nas investigações sobre os crimes cometidos nos chamados “anos de chumbo”, o Governo de Alfonsín enfrentou rebeliões e levantes militares, que foram sufocadas por tropas leais e com a presença popular nas ruas.

Nesse contexto, entre 1986 e 1987, o Executivo impulsionou a aprovação parlamentar das leis de Obediência Devida e Ponto Final, que isentaram de responsabilidade mais de mil de acusados de crimes de lesa-humanidade.

Alfonsín cursou seus estudos secundários num liceu militar, e, aos 18 anos, começou sua atividade política na UCR. Em 1954, foi eleito vereador em sua cidade natal. Depois, ocupou uma cadeira como legislador provincial e, posteriormente, como deputado nacional. Em 1973, perdeu para Ricardo Balbín a candidatura de seu partido às eleições presidenciais daquele ano.

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