Em comemoração aos 15 anos de lançamento de Da Lama Ao Caos, a Nação Zumbi realiza em São Paulo, nesta sexta-feira (18), um show especial: no repertório, estarão todas as faixas do CD, tido como um dos trabalhos de maior destaque na década de 1990 e marco do movimento manguebeat. Baixista da banda, Alexandre Dengue conversou com o Virgula sobre as celebrações, o legado de Chico Science e o significado do álbum de estreia da banda para a música brasileira.

Lançado em 1994, Da Lama ao Caos trazia aos ouvidos de toda uma geração a mistura da sonoridade regional do maracatu e de outros ritmos afro-brasileiros a estilos como funk, rock e hip hop. Soma-se a essa inovação letras socialmente conscientes que buscavam, como um farol, sinalizar e chamar a atenção para as péssimas condições sociais nas quais o Nordeste estava submetido, sobretudo Recife, terra dos membros do Chico Science & Nação Zumbi. “Era um grito de socorro mesmo”, disse Dengue. “Não havia estrutura, principalmente no aspecto cultural.”

A voz da banda, representada naquela época pelo inesquecível Chico Science, teve o impacto que almejava. Após o sucesso da apresentação no primeiro festival Abril Pro Rock, em 1993, o grupo conquistou o empresário Paulo André, organizador do evento, e garantiu um contrato com uma grande gravadora, a Sony. “O show foi realmente um divisor de águas”, relembra Dengue. 

Produzido pelo ex-Mutantes Liminha, Da Lama ao Caos permitiu que os recifenses entrassem para o hall das grandes surpresas na história da música brasileira e garantiu, em nível nacional, o tão desejado destaque para a discussão dos problemas sociais vividos naquela região. 

Mas a brilhante carreira do grupo, que lançou o segundo e premiado álbum Afrociberdelia em 1996, sofreu um sério abalo em fevereiro de 1997, quando Chico Science morreu em um acidente de carro ocorrido na estrada entre Recife e Olinda.

Mesmo com a tragédia, a Nação continuou a batucada e seguiu em frente com Jorge Du Peixe assumindo os vocais. Agora, em 2009, na série de apresentações do álbum que foi tantas vezes executado por Science durante aqueles três anos, a imagem do amigo se faz ainda mais presente. “Durante os shows, temos flashbacks do Chico. É uma lembrança muito boa. Parece que ele está sempre ali”, diz o baixista.

Quinze anos depois…

Dengue afirma que a banda se enxerga mais madura que em 1994. Contudo, o baixista garante que não faria nada de diferente em relação àquela época. “Hoje, regravar aquele disco seria mais fácil, mas não gostaria que as coisas tivessem sido de outro jeito.” E elogia: “Da Lama ao Caos me surpreende até hoje. Ele é todo especial.” 

Para o baixista, tocar o álbum completo, como estão fazendo nesse e em outros shows comemorativos, traz de volta o mesmo sentimento da primeira apresentação realizada pelos caras após o disco pronto, há exatos 15 anos, no Circo Escola Picadeiro, em São Paulo. “A gente se arrepia o tempo inteiro. A emoção é a mesma”, anima-se.

O show desta noite, que contará com as presenças de Otto, BNegão e Fred Zero Quatro, do Mundo Livre S/A, promete empolgar o público que curte a banda pernambucana desde seu início. Sobre as expectativas para a apresentação, Dengue manda o recado aos fãs: “Esperamos rejuvenescer as pessoas em 15 anos.”

A apresentação da Nação Zumbi faz parte da edição 2009 do evento Conexão PE, que também terá shows do músico Ortinho e do projeto Guizado, capitaneado pelo trompetista Guilheme Mendonça. Nos intervalos, haverá a exibição dos curtas Samydarsh – Os Artistas da Rua, de Claudio Assis, Adelina Pontual e Marcelo Gomes, e o documentário O Mundo Cabe Numa Cabeça, de Bidu Queiroz e Claudio Barroso, que fala sobre a vida e a obra de Chico Science.

Ouça as músicas da Nação Zumbi na Rádio UOL

Conexão PE 2009, com Nação Zumbi e outros, em São Paulo

Quando: 18/09 – 21h

Onde: Citibank Hall (Alameda dos Jamaris, 213. Moema)

Quanto: R$ 40 (pista) e R$ 110 (camarote)

Informações: (11) 2846-6040

Nação Zumbi toca hoje (18) Da Lama ao Caos na íntegra em SP; leia entrevista com o baixista Dengue

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