(Por Daniel Carmona e Bárbara Stefanelli) Os reflexos da natureza causados pelo uso excessivo dos sacos plásticos são assustadores. 500 bilhões de sacolas são produzidas anualmente no mundo, imagine onde é que todas elas vão parar? Com a reciclagem ainda dando os seus primeiros passos nos países desenvolvidos, muita parte deste lixo acaba sendo depositado no meio ambiente.

Mas algumas medidas já estão sendo tomadas para combater o problema. Segundo Guilhermino Fechine, estudioso da degradação de polímeros e professor da USP e do Mackenzie, as sacolas de plástico biodegradável “se decompõem rapidamente, sem trazer nenhum tipo de poluição ao meio ambiente, o que ajudaria a diminuir o volume de plásticos em aterros sanitários e lixões”, confirma o pesquisador. Os plásticos biodegradáveis podem até ser feitos de compostos do petróleo e também de outras fontes renováveis, como a cana de açúcar.

Entretanto, para que a decomposição destes materiais – que já são comercializados nos Estados Unidos, Europa e Ásia – ocorra de forma integral, eles precisam de um ambiente adequado para tal, com temperatura e pH ideais para o processo. “As pessoas acham que os plásticos biodegradáveis se decompõem em qualquer lugar, apenas jogando-os na rua ou no lixão. Mas isso não é verdade”, pondera Fechine.

Grife das Ecobags

Em 2007, a designer inglesa Anya Hindmarch foi uma das primeiras a dar uma solução prática e criativa para o uso excessivo das sacolas. Ao criar as bolsas ecologicamente corretas, que levavam a frase “I”m not a plastic bag” (Eu não sou uma sacola de plástico), a designer chamou atenção do mundo ao problema ambiental.

Após a iniciativa de Anya, estilistas também resolveram abraçar a causa e criar as suas próprias ecobags – como são chamadas as sacolas retornáveis. Renata Soares, uma das donas da pioneira marca Ecobag.com.br, acredita que o plástico é um dos principais vilões do aquecimento global. “No início fazíamos sacolas para uso próprio, uma vez que começamos a perceber em nossas idas ao mercado que a quantidade de embalagens que trazemos para casa diariamente é absurda”, diz Renata.

A designer explica que para produzir as bolsas – que podem ser utilizadas para carregar qualquer tipo de compra e, o melhor, sem prejudicar o planeta – são utilizados materiais 100% reutilizável, como o algodão e a juta. “Nosso principal objetivo é que uma vez que a sacola seja descartada no meio ambiente, ela possa se decompor naturalmente, sem deixar rastros de poluição”, afirma.

Defensores do plástico

Já a Plastivida, uma entidade sem fins lucrativos que estuda a questão do plástico no Brasil, prima pela reeducação da população em relação ao uso das sacolas e afins. Segundo Francisco de Assis Esmeraldo, presidente do instituto, a ideia da entidade não é cortar o uso do material, mas sim reduzir o seu desperdício e aumentar a sua reutilização. “Para ser menos desperdiçado, o saco tem que ser mais resistente, para assim sustentar mais e ser utilizado várias vezes”, diz Assis.

“Uma pesquisa realizada pelo Ibope mostra que 100% dos brasileiros reutilizam os plásticos como saco de lixo e que 75% da população afirma que as sacolas de plástico são a melhor maneira de transportar as compras”, conta o presidente da entidade. Além do mais, outra pesquisa apontada por ele atesta que cerca de 75 a 80% da população – principalmente das classes C e D – faz suas compras após sair do trabalho e utilizam o transporte público para voltar para casa. “Não é sempre que a pessoa vai estar com uma sacola de pano para carregar as compras, elas não são simples. Por isso, é melhor investir no consumo responsável”.

Mesmo porque, para Assis, não seria possível cortar totalmente o uso dos plásticos do cotidiano humano. “Imagine viver sem os plásticos? Não ter celular, notebook, ou até mesmo uma sacola para depositar o seu lixo”, questiona o presidente da Plastivida.

Outra maneira de evitar os abusos do plástico contra a natureza seria a reciclagem energética do material, que ainda não é realizada no Brasil. Para ter ideia, no mundo, há cerca de 750 pontos de reciclagem energética; por aqui, nenhum. “O plástico vem do petróleo, que é uma fonte de energia. E a energia contida nos plásticos pode render um outro tipo de fonte energética”, explica Assis, sobre o recente método.

Oxibiodegradável?

O plástico rotulado de oxibiodegradável parece ainda mais limpo que os demais. Tal composição passou a ser produzida nos anos 80 e, segundo seus fabricantes, são ambientalmente corretos porque se decompõem rapidamente na natureza. Com isso minimizariam uma série de riscos ambientais decorrentes do descarte desses produtos, como a impermeabilização do solo e a contaminação de lençóis freáticos. Mas, pesquisas revelaram que o oxibiodegradável pode ser perigoso.

“Eles colocam dentro da composição um aditivo. Este aditivo vai fragamentar a sacola. Mas elas não desaparecem. Elas apenas degradam. Não há processo de biodegradação. Elas se espalhar pela natureza como um pó plástico e dificultam a coleta. Isso pode resultar numa catástrofe sem precedentes”, pondera Esmeraldo, da Plastivida.

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