O Partido dos Trabalhadores (PT) reforçou na terça-feira (4) o apoio para a permanência de José Sarney (PMDB-AL) na presidência do Senado. No entanto, a legenda sugere o afastamento temporário de Sarney da cadeira da presidência através de uma licença.

A posição petista acabou fortalecendo Sarney e bipolarizou ainda mais a crise. Do outro lado, DEM, PSDB, PDT e PSB formam a coalizão que pede a renúncia do presidente do Senado. Se o PT tivesse concordado com a renúncia, os demais partidos fariam o mesmo tornando inviável a permanência de Sarney no comando da Casa.

Em um plenário de 81 senadores, os 5 partidos somam 46 votos – 14 do DEM, 13 do PSDB, 12 do PT, 5 do PDT e 2 do PSB. Mesmo com as dissidências (senadores favoráveis a Sarney), a situação do presidente do Senado ficaria mais frágil com o pedido formal dos partidos para que renunciasse.

Discurso, arquivamento e contra-golpe

Nesta quarta-feira (5), Sarney deverá discursar no plenário em resposta às denúncias que vem sofrendo. Além disso, os aliados do presidente do Senado tentam livrá-lo da cassação no Conselho de Ética. Para isso, o presidente do órgão, Paulo Duque (PMDB-RJ), já tem pareceres para o arquivamento de 5 dos 11 pedidos de investigação.

Duque estaria disposto a pedir o arquivamento na sessão do Conselho de Ética desta quarta, mas os governistas o pressionavam para que ele adiasse sua decisão. O objetivo é ganhar tempo e tentar acalmar os ânimos.

Por outro lado, a oposição já traçou os planos caso Duque peça o arquivamento. Eles vão forçar uma decisão do colegiado e, em caso de derrota, tentar transferir a questão ao plenário para que cada senador torne pública o apoio ou não ao afastamento de Sarney.

PT fortalece Sarney e evita pedir renúncia

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