(Por Gabriel Codas) Apesar de estarem mais preparados para superar o período da crise internacional, os países emergentes são fortemente afetados pelo atual cenário devido ao colapso dos fluxos de exportações. A situação se deve ao fato dessas nações terem boa parte de sua economia fundamentada nas vendas de produtos para o mercado externo.

Como se não bastasse só a queda da demanda de produtos no mercado internacional, há também uma redução brusca nos estoques de crédito. No caso do Brasil, por exemplo, essa retração chegou a US$ 100,9 bilhões, nos bancos internacionais, somente no início do agravamento da crise em setembro. Isso afeta o financiamento das exportações e a previsão para os próximos meses não são nada otimistas.

A avaliação desta situação foi feita Banco de Compensações Internacionais (BIS), que é uma espécie de banco central dos bancos centrais e tem sede na Basiléia, Suíça. A entidade entende que neste momento os emergentes devem se unir à desaceleração global. As informações constam no relatório trimestral do BIS divulgado no domingo (1).

Um dos fatores que levou a instituição a acender a luz amarela foi o anúncio que o Produto Interno Bruto (PIB) de Cingapura teve queda de 2,6% no último trimestre do ano passado. Para o BIS, esse é o primeiro sinal que confirma o impacto da desaceleração global. Além disso, o crescimento da economia da Coréia do Sul teve queda de 3,4% no mesmo período.

Tudo isso se deve principalmente a queda no comércio. Com a recessão nos países mais ricos, as compras externas foram menores, o que acaba contaminando emergentes. Isso pode ser sentido ao verificar as fortes quedas nas exportações da Ásia, Europa Central e América Latina.

Já a falta de crédito é outro fator apontado pelo BIS, com o Brasil sendo um dos mais afetados. A falta de recursos para financiar os embarques surgiu principalmente após a quebra do Lehman Brothers em setembro.

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