Ainda não se sabe exatamente o quanto de Cerrado é desmatado anualmente. As estimativas variam de 4,5 mil quilômetros quadrados a até 60 mil. Com o uso de satélites para monitorar o desmatamento em outros biomas além do Amazônico – medida anunciada esta semana pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc -, será possível ter uma idéia mais precisa sobre os prejuízos causados no Cerrado.

A opinião é do professor do Centro de Desenvolvimento Sustentável da Universidade de Brasília (UnB), Donald Sawyer, especialista nos biomas do Cerrado, da Caatinga e Amazônico. “Os satélites poderão nos ajudar a saber, de forma mais precisa, qual é a realidade dos biomas brasileiros”, diz.

“Os números que já saíram sobre o desmatamento no Cerrado são bastante desencontrados. As estimativas mais realistas apontam que a área desmatada anualmente vai de 1,1% a 1,5%. Proporcionalmente, é um número bastante superior ao registrado na Amazônia”, argumenta o professor.

Sawyer adverte que haverá dificuldades técnicas para detectar o desmatamento por satélite no Cerrado e na Caatinga. “Ainda não é possível diferenciar o que é campo sujo, um tipo de vegetação original do Cerrado, do pasto sujo, que está relacionado ao desmatamento”, explica.

O desafio, segundo ele, será grande. “Mas o Brasil está entre os mais desenvolvidos em termos de monitoramento por satélites”, completa.

MONITORAMENTO DOS BIOMAS
 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, anunciou nesta semana o início do monitoramento de alguns biomas, com a elaboração de relatórios anuais sobre a situação da cobertura vegetal nessas áreas.

Por ocupar 24% do território nacional e estar em áreas relacionadas ao avanço do desmatamento no bioma amazônico – em Mato Grosso e no Maranhão, por exemplo – a análise do Cerrado vai ser prioritária, segundo o Ibama.

Satélites vão garantir mais precisão sobre desmatamento do Cerrado

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