Para Sting, a música é sua “religião” e seu “grande amor”, e “surpreender as pessoas o tempo todo” é o que tenta fazer com Symphonicities, uma coletânea de antigos sucessos com arranjos de orquestra reunidos em um álbum que começará a ser vendido amanhã (13).

A coletânea inclui músicas de discos tanto de sua carreira solo – como Englishman in New York ou She’s too good for me– quanto de seus tempos de The Police – como Roxanne ou Next to you -, apesar de o cantor responder com um “não” quando é questionado sobre se sente saudades de sua antiga banda.

Em entrevista concedida pelo telefone à Agência Efe, um tranquilo e extremamente educado Sting mostrou sua satisfação pelo resultado de um álbum que, para muitos, soará como uma trilha sonora, já que, atualmente, “as pessoas associam música de orquestra com cinema”, segundo ele.

No entanto, isso não parece importar, depois do sucesso de sua turnê pela América do Norte, durante a qual decidiu gravar o disco ao constar a positiva reação do público à mistura de seus sucessos com os instrumentos da Royal Philharmonic Concert Orchestra.

“Estou contente de tê-lo feito, porque as pessoas gostaram dos shows. Foi o público que pediu que fossem transformados em um disco. É maravilhoso”, assegura o britânico.

O álbum, de “música pop com uma orquestra”, foi um “desafio” para Sting, já que era “algo diferente, (…) com a Royal Philharmonic”, que contou com arranjos de “alguns dos melhores do mundo”, como Michel Legrand, Bill Ross, Jorge Calandrelli e Steven Mercurio.

“Eu não teria sido capaz de fazer arranjos de orquestra sozinho. Não tenho experiência o suficiente, precisava de alguma ajuda e consegui as melhores pessoas para fazê-los. Estou muito contente”, afirma.

O resultado da colaboração é um disco com temas em que os instrumentos de corda foram muito utilizados, mas sem abafar a suave voz de Sting, e com algumas músicas nas quais a transformação é evidente.

É o caso de We work the black seam, de seu primeiro álbum solo, The dream of the blue turtles (1985), ou de Next to you, do disco Outlandos D’Amour (1978), o primeiro trabalho do The Police e um dos favoritos do cantor em sua versão orquestral.

“Há canções que podem ser mais facilmente adaptadas para uma orquestra. Por exemplo, Russians“, inspirada na música clássica de Sergei Prokofiev. “Mas há outras canções mais arriscadas, como Next to you, um rock. Foi muito surpreendente que o resultado tenha sido tão bom”, diz.

Sua turnê pela América do Norte vai até 31 de julho e chegará à Europa no terceiro trimestre, com o primeiro show em Oslo, no dia 3 de setembro, e o último em Roma, em 10 de novembro.

Segundo Sting, “por enquanto”, ele não tem planos de ir à América Latina, mas não se importa, especialmente depois da boa recepção dos shows em maio no México, na Colômbia e na Venezuela para arrecadar dinheiro para projetos educativos.

“Me senti muito contente de poder fazer meus dois trabalhos ao mesmo tempo”, diz Sting, para quem colaborar em projetos humanitários é “algo natural”. “Não é algo difícil, é simplesmente normal”.

“A música é meu trabalho e certamente meu grande amor, mas não me impede de ser defensor de causas nas quais acredito ou de unir minha voz a algo se acho que é justo”.

Segundo Sting, o mundo da música, que está “constantemente mudando”, passa por um momento complicado, por problemas de distribuição e de como pagar por ela.

E embora se mostre reticente a opinar sobre qual é o caminho a seguir, insiste em que “as coisas têm que mudar e os modelos estão aí. O iTunes, por exemplo, é bastante bom”.

Enquanto as mudanças chegam à música, ele continua com Symphonicities, um trocadilho com Synchronicity, título do último disco de estúdio do The Police, lançado em 1983.

“Eu dei o título a Synchronicity, portanto pensei que tinha direito de chamar (o novo álbum) assim”

Sting lança coletânea de sucessos antigos com arranjos de orquestra

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