É a nostalgia de um som que remete aos anos 70 e remete aos bares esfumaçados de beira de estrada de uma América interiorana o conceito por trás de Horehound, primeiro álbum do The Dead Weather. As letras, que trazem um tom depressivo e sexual, são temperadas com influências do blues e do rock de garagem, que fazem com que a estreia do grupo seja, ao mesmo tempo, agressiva e melancólica. Ou, como definiu em entrevista o baterista da banda, Jack White, guitarra/vocal do White Stripes e do Racounters, “gothic blues”.

O Dead Weather conta também com a vocalista Alison Mosshart, do The Kills, Jack Lawrence, baixista do The Raconteurs, e Dean Fertita, tecladista e guitarrista do Queens of The Stone Age. Mas não pense que White tenha saído dos holofotes: é a bateria que define a sonoridade das músicas. O instrumento domina de tal forma o álbum que é impossível não atribuir a ele a responsabilidade pelo CD ser tão agradável. O som dos tambores e pratos domina desde o início do álbum, com 60 Feet Tall e I Cut Like a Buffalo, até o faroeste Rocking Horse.

O clima sexy do álbum fica por conta dos vocais de Alison Mosshart, que aqui se distancia de seu trabalho pop do The Kills e entra de cabeça em um som que exige outras características de sua voz. E ela abraça a causa, tentando cantar como uma diva sensual e explorando diferentes tons nas faixas mais agressivas, como 60 Feet Tall e Bone House. Mas, embora seu trabalho seja consistente, ela precisa de mais estrada para alcançar a versatilidade que as composições do The Dead Weather exigem.

Os pontos fortes do álbum são Bone House, a energética 3 Birds e Will Be There Enough Water?, que traz influências claras de Bob Dylan, compositor que também aparece em um cover da pouco conhecida New Pony. No geral, o The Dead Weather pode não ter criado o álbum mais original da história, mas pode se orgulhar de fazer um dos trabalhos mais cativantes, inteligentes e equilibrados do ano.

Ouça aqui o álbum na íntegra em streaming

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