Pelo visto, tem muito adulto por aí que, quando pequeno, não fez o curso básico de ser criança (brincadeira, não existe curso básico de ser criança, ok?). Um evento no Facebook criado há três semanas, que chamava o pessoal para se reunir no Parque Ibirapuera, em São Paulo, e aprender a andar de bicicleta, a assoviar com o dedo, a rodar com o bambolê e a fazer outras coisas dos tempos de infância, teve 6,7 mil presenças confirmadas. O evento aconteceu neste domingo (12), Dia das Crianças ensolarado, e o Virgula Inacreditável deu uma passada lá para ver como seria.

O programador Bruno Romaszkiewicz, 22 anos, e a estudante de publicidade Isabella Martinez, 21, foram quem idealizou o evento, intitulado “Oficina de coisas banais que você deveria ter aprendido na infância mas não aprendeu” (poderia ser nome de tese de doutorado). Eles contam que, a princípio, convidaram alguns amigos na rede social. Como o evento era aberto, e a ideia era boa, mais e mais gente o divulgou. Em três semanas, chegou a quase 16 mil convidados.

A presença foi consideravelmente menor. Cerca de 50 pessoas deram as caras por lá (ah, essa geração Facebook). Quem foi, no entanto, se divertiu bastante.

Nada foi muito planejado. Quando cheguei ao parque, o grupo não tinha sequer uma bicicleta. Bruno (na foto aqui em cima) contou que ele e Isabella pensaram em fazer o evento justamente pelo fato de eles não saberem andar em duas rodas e quererem aprender. “A ideia era juntar pessoas para ensinar umas às outras”, disse. Já que Bruno precisava de uma bicicleta e alguém para ensiná-lo, eu aluguei uma por lá.

Pessoas que não se conheciam faziam rodas e davam “workshops” de coisas que deveríamos ter aprendido na infância. “Alguém aí sabe assoviar com os dedos?”, gritava alguém. Em seguida, outra pessoa já estava no meio do povo, mostrando a forma correta de dobrar a língua com os dedos e soltar um alto “fiiiii-u-uiiii”. Teve, também, brincadeira de roda, pulação de corda, rodação de peão, rebolação com bambolê (cara, eu me saí muito mal nessa), peteca, origami y otras cositas más. Quem sabia ensinava quem não sabia.

Com minha bicicleta alugada, eu dei uma força para o Bruno andar alguns metros com a magrela. Ele foi bem. Pedalou uns 10 metros sem cair. “Quando tinha uns 13 anos, meu pai tentou me ensinar. Eu fui melhor agora do que naquela época. Quando eu era adolescente, meio que dava vergonha dizer que eu não sabia andar de bicicleta”, contou.

Se depender dele, o Dia das Crianças de 2015 terá a segunda edição do evento. “Eu não sabia que tanta gente se interessaria por isso. Queremos fazer no ano que vem, sim”, disse.

Saí de lá tentando lembrar de quando abandonei o jogo de taco na rua, o gol caixote, as voltas de bicicleta e outras atividades que me deixavam felizão para, um dia, me tornar uma pessoa adulta, empregada e de respeito. É difícil entender por que deixamos essas coisas para trás (“Estou voltando do trabalho de táxi, tentando passar da 104ª fase do Candy Crush. No caminho, pego um sanduíche de pastrami com alcaparras para jantar”. Blergh, seu adulto chato!).

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