As pessoas da tribo Himba na Namíbia são de uma beleza impressionante. Cobertos por uma mistura de solo de rocha vermelha e manteiga (que também é usada no corpo), os cabelos das mulheres são elaboradamente trançados com diferentes graus de complexidade. Já os homens escondem suas madeixas com turbantes a partir do momento em que se casam e nunca mais os removem em público, nem para se coçar – fazem isso com a ajuda de uma flecha.

“O casamento é importante na cultura Himba”, explica o fotógrafo Eric Lafforgue, mas as relações extraconjugais são incentivadas. A poligamia é a regra, tanto para os homens como para as mulheres. Todos podem ter vários parceiros. Há um sistema de descendência dupla onde cada pessoa está ligada a dois grupos distintos de parentes: um da linha da mãe e outro do pai. “A autoridade está nas mãos dos homens, mas as questões econômicas são decididas pelas mulheres”, assinala Lafforgue.

Trata-se de uma tribo de pastores que vive em Kaokoland, uma vasta extensão de terra no noroeste do país africano. As terras fazem fronteira com a Angola ao norte e com o Oceano Atlântico a oeste. Como outras tribos que vivem na área, as pessoas dependem de suas vacas para viver e, como resultado, um homem Himba sem um rebanho de bovinos não é considerado digno de respeito.

“Apesar de viverem em pequenas aldeias, os nativos são pessoas ricas”, acrescenta Lafforgue. “Os rebanhos podem ter até 200 vacas, mas eles mantêm o número exato em segredo para evitar ladrões”.

Mas, enquanto o estilo de vida Himba chama a atenção, são os penteados elaborados que realmente distinguem esse povo. Os homens solteiros usam uma trança na parte de trás de sua cabeça. Os penteados das mulheres mudam se são casadas ​​ou quando estão mais velhas. “Elas usam um monte de coisas diferentes para criar seus dreadlocks, até mesmo cabelo e palha”, conta Lafforgue. Tem até cabelo que vem da Índia para vender na cidade!

Uma jovem normalmente tem duas tranças no cabelo, o que é decidido pelo clã que ela descende por parte de pai. Alguns usam um único dread, que significa que são gêmeos. As crianças mais pequenas tendem a ter as cabeças raspadas, embora alguns tenham cortes especiais que indicam que eles pertencem a determinado clã. “Se você vê uma adolescente com mechas displicentes sobre o rosto é porque atingiu a puberdade e tem de esconder o rosto dos homens. Quando uma mulher está casada há um ano ou teve um filho, usa um cocar feito de pele de animal.

Manter os dreadlocks alinhados é um desafio, por isso as mulheres passam várias horas por dia cuidando do cabelo e da pele. “As mulheres dormem em travesseiros de madeira para não estragar o cabelo no meio da noite”, conta Lafforgue. Quando acordam, a primeira coisa que fazem é cuidar de seus dreads, tarefa que dura várias horas. Em seguida, se cobrem completamente com uma mistura feita de terra e gordura, que atua como protetor solar e repelente de insetos. Se não há manteiga o suficiente, usam vaselina.

O tom vermelho na pele é considerado um sinal de beleza e a mistura acaba cobrindo também suas roupas e joias. “Se têm acesso a água, costumam tomar banhos, mas como vivem em lugares áridos, isso é um luxo”, denuncia o fotógrafo. O banho diário é com fumaça de incenso, que usam para purificar seus corpos e roupas. Alguns clãs evangelizados por alemães no século 18 usam vestes vitorianas, mas a maioria usa poucas peças de roupa: o foco está mesmo no cabelo e nos ornamentos.

As mulheres usam um grande colar de concha branca que é passado de mãe para filha. Igualmente popular, especialmente entre as mulheres casadas, são colares pesados ​​feitos de cobre ou de fio de ferro. Os colares das mulheres mais velhas podem pesar vários quilos, mas os das novas são feitos de tubos de PVC ou com coisas dadas por turistas.

Também há o costume de usar sementes para fazerem adornos, porque gostam do barulho que elas fazem quando andam. Tornozeleiras são especialmente úteis porque é lá que escondem seu dinheiro. Servem também como proteção contra picadas de animais peçonhentos. 

Infelizmente, os hábitos milenares da tribo estão ameaçados por costumes ocidentais. São os jovens os que mais sofrem a influência: “Em todos os lugares a tradição está cedendo à pressão das práticas modernas e novas ideias”, explica Lafforgue. Mas as mulheres parecem estar mais dispostas a manter as velhas tradições e resistem mais às mudanças do que os homens. Por enquanto, a favor da preservação da cultura Himba, as aldeias não possuem energia elétrica. Mas é inevitável que a tecnologia chegue a esse paraíso.

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