O caso Profumo, o maior escândalo político e sexual da Guerra Fria, que teve como protagonistas um ministro da Guerra britânico, uma prostituta e um adido naval soviético, completa 50 anos nesta quarta-feira.

No dia 5 de junho de 1963, o então ministro da Guerra, John Profumo, apresentou sua demissão ao revelar que tinha compartilhado uma prostituta, Christine Keeler, com Yevgeny “Eugene” Ivanov, adido naval da Embaixada soviética em Londres.

Envergonhado e desprestigiado, John “Jack” Profumo (1915-2006), deixou o governo de Harold MacMillan depois de ter sido submetido à minuciosa apuração da imprensa, que revelou detalhadamente a relação do ministro, especialmente porque tinha os melhores ingredientes: sexo, aristocracia, drama e espionagem.

Eram tempos de uma grande atividade de espionagem entre o Reino Unido e a agora extinta União Soviética, e, por isso, a relação do ministro, de 48 anos, com Keeler, de 19, alarmou o governo sobre a ameaça à segurança nacional.

Embora o romance tenha durado poucas semanas, as conotações políticas e as pessoas com as quais Keeler estava relacionada acabaram com a carreira política de Profumo, até então uma das “estrelas” em ascensão do Partido Conservador.

O escândalo explodiu em 1963, apesar de Profumo ter conhecido Keeler dois anos antes em Cliveden, a luxuosa mansão do visconde Astor nos subúrbios de Londres, através do artista Stephen Ward, famoso por organizar festas para a aristocracia.

Ao ver Keeler sair da piscina de Cliveden em uma tarde quente de julho de 1961, o político conservador de origem aristocrática ficou deslumbrado pela beleza da jovem.

Casado com a atriz Valerie Hobson, Profumo não resistiu aos encantos de Keeler, que tinha como clientes homens de negócios obscuros e era amiga de Ward, acusado de viver de ganhos imorais e que se suicidou antes que o julgamento terminasse.

Foi em princípios de 1963 quando o escândalo explodiu, por causa de um incidente violento protagonizado por dois homens com os quais Keeler estava relacionada, que levou a imprensa a investigar o caso e perceber a extensão dos contatos da jovem.

O caso chamou a atenção da imprensa britânica, que durante semanas publicou os detalhes da relação do ministro com a jovem, a ponto de o escândalo causar problemas ao governo de Harold MacMillan (1957-63).

Em uma aparição na Câmara dos Comuns, em março de 1963, Profumo chegou a dizer aos deputados que não havia nada inadequado em sua relação com Keeler, pois sempre a tinha visto em termos amigáveis e nunca sozinho.

No entanto, em um país no qual a mentira de um político ao Parlamento tem um preço caro, Profumo foi obrigado a demitir-se quando foi descoberto que a sua declaração não tinha sido verdadeira.

Desta forma, a relação, sobretudo pelo envolvimento do adido naval soviético, arruinou a carreira política de Profumo.

Dias depois da sua partida, John Profumo se apresentou no centro de ajuda a desabrigados em Toynbee Hall, no leste da capital britânica, e pediu para lavar os pratos.

Ali trabalhou durante anos para apoiar diversos programas sociais, o que lhe valeu em 1975 a condecoração de Comandante do Império Britânico.

Por ocasião dos 50 anos do escândalo, a National Portrait Gallery de Londres tem em exposição desde abril do ano passado e até setembro deste ano com  fotos e pinturas dos protagonistas do caso.

Intitulada de “Escândalo de 63: o 50º aniversário do Caso Profumo”, a mostra expõe, entre outras, o famoso retrato que Lewis Morley fez de Keeler despida, sentada em uma cadeira.

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