Durante a maior apreensão de maconha de Baja California, estado mexicano onde fica Tijuana, 105 toneladas da erva ficaram sob o poder dos militares. Entre elas, um carregamento embalado com o personagem Homer Simpson, que nessa semana foi considerado um bom exemplo de fé católica para a igreja. Na embalagem, Homer aparece comemorando e diz: “Voy de mojarra Y que wey” (Vou ser um imigrante ilegal, e daí?). Virgem de Guadalupe, Duh!

O prefeito de Tijuana, Jorge Ramos, disse que soldados e policiais realizaram as apreensões durante buscas em três bairros da cidade. Nenhum civil ficou ferido, segundo informações da polícia local, que trabalhou junto com o exército mexicano. “Nunca houve uma operação desse porte na história do nosso estado”, disse Ramos.

O valor estimado da droga na cotação das ruas está em torno de 4,2 bilhões de pesos mexicanos (R$ 564 milhões).

TIJUANA, MÉXICO E A MACONHA NA CALIFÓRNIA

Tijuana não é só a banda brasileira que re-emplacou uma música por causa dos filmes Tropa de Elite. É uma cidade que faz fronteira com San Diego, uma grande cidade da Califórnia, porta de entrada para os Estados Unidos, e por isso a grande quantidade da erva.

Uma lei que será votada no dia 2 de novembro na Califórnia pode descriminalizar totalmente a droga no estado americano. A Proposição 19, ou “Ato de 2010 para Regulamentação, Controle, e Taxação de Cannabis” legaliza posse, consumo, e produção da marijuana em pequenas quantidades.

A ideia com a Prop. 19 é que com a maconha sendo comercializada legalmente, vai passar a arrecadar impostos que poderão ser redirecionados para segurança pública e outros assuntos mais importantes do que consumo recreativo de entorpecentes. Estima-se que US$1.4 bilhão seja o resultado desses impostos.

A segurança para os consumidores deve acabar com a violência do tráfico ilegal, além de diminuir gastos com policiamento e repressão.

105 toneladas de maconha apreendidas em Baja California, México

Pela proximidade da fronteira mexicana com a Califórnia, a aprovação da Prop. 19 pode afetar diretamente os mexicanos.

Segundo informações do NY Times, apenas 4% da maconha mexicana ia para a Califórnia, já que a produção local é quase auto-suficiente. Só que a facilidade de produção em uma Califórnia liberada poderia acabar distribuindo maconha de boa qualidade e preços baixos para outros estados americanos. E isso sim traria problemas para os traficantes mexicanos.

Jorge Castañeda, ministro do exterior mexicano e líder pró-legalização, disse à revista Nexos que de seis candidatos à presidência do México para 2012, quatro acreditam que a legalização deva ser considerada caso a Prop. 19 passe na Califórnia.
 
Assim como acabar com a lei seca nos EUA acabaram com a violência do tráfico e das máfias, diz Castañeda, legalizar a maconha pode acabar com a guerra do tráfico, que já matou 30.000 pessoas nos últimos quatro anos. Caso não siga, pode continuar como uma das principais fontes de drogas ilegais para os norte-americanos.

Mesmo assim, o México teria que passar por um processo lento, afinal de contas, depois de tantos anos gastando tempo e dinheiro público em repressão, restou uma ausência de investimento em  campanhas anti-consumo e anti-vício. Uma legalização do dia para a noite pode ter efeitos devastadores.

Clique aqui para ver um belo álbum de fotos sobre o assunto feito pelos nosso colegas do Boston.com.

Homer vira embalagem de maconha mexicana

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