Manifestantes turcos que se opõem à intervenção policial na Praça Taksim, situada no centro de Istambul, denunciam nas redes sociais que os incidentes violentos registrados nesta terça-feira (11) fazem parte de uma “encenação”.

“Teatro policial” é um dos lemas que ganhou força no Twitter, onde aparecem fotos, reproduzidas acima, que reforçam a suspeita de que os supostos manifestantes que lançaram coquetéis Molotov e diversos objetos contra a polícia são, na realidade, agentes infiltrados do governo.

As imagens mostram manifestantes vestidos com roupas muito protetoras, com máscaras de gás de marcas supostamente restritas ao uso policial e, inclusive, contornos de pistolas no bolso.

Vários jovens que há dias estão acampados no parque Gezi, situado próximo a Praça, assinalaram à Agência Efe que se opõem ao uso da violência e temem que, se os confrontos continuarem intensos na praça, a polícia usará este pretexto para despejar os manifestantes do parque, embora as promessas caminhem em sentido contrário.

Os incidentes de hoje, que teriam deixado mais de 20 feridos, foram registrados nas primeiras horas desta manhã, quando as forças de ordem invadiram a Praça Taksim com blindados em uma surpreendente operação, iniciada poucas horas depois que o governo anunciasse sua disposição de negociar algumas reivindicações dos manifestantes.

Centenas de agentes situados na emblemática praça, que não era invadida pelas forças de segurança há duas semanas, enfrentaram um grupo reduzido de pessoas, que, por outro lado, respondia a repressão policial com pedras, coquetéis molotov e outros objetos.

Os policiais responderam os ataques com uso de gás lacrimogêneo e jatos de água.

Em declarações a uma emissora local, o vice-presidente do opositor partido CHP, Gürsel Tekin, assegurou que os confrontos desta terça causaram ao menos 20 feridos, a maioria pela inalação de gás lacrimogêneo.

“Este ataque demonstra que a negociação com o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdohan é só uma mentira ou que um grupo fora do controle do primeiro-ministro perpetrou a ação (o ataque)”, afirmou o número dois do CHP. 

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