O diretor do projeto da Nasa para detectar asteróides, Lindsey Johnson, garantiu nesta quarta-feira (20) em Viena que não existe nenhum corpo celeste que represente uma ameaça letal à humanidade nas próximas centenas de anos.

“Não há nenhum corpo celeste com mais de 1 quilômetro de diâmetro que possa colidir com a Terra nos próximos séculos”, disse Johnson em entrevista coletiva.

O especialista afirmou que um choque com um asteroide desse tipo ocorre apenas uma vez a cada um milhão de anos, mas que o impacto de um objeto desse tamanho teria consequências catastróficas para a humanidade, como a formação de uma camada de pó que bloquearia a chegada da luz solar “por dias ou meses”.

A Nasa já descobriu e catalogou cerca de 95% dos asteroides a partir desse tamanho que estão na órbita da Terra e que poderiam causar uma catástrofe planetária, garantiu Johnson. Ele também destacou que a Nasa tem feito esforços para melhorar a tecnologia de detecção de “objetos” espaciais menores.

Segundo o especialista da Nasa, o meteorito de 17 metros de diâmetro que caiu na cidade de Chelyabinsk, Rússia, na sexta-feira passada e feriu mais de mil pessoas não foi detectado com antecedência porque apareceu na parte da Terra que estava em período diurno.

Para o mexicano Sergio Camacho, diretor da equipe de Ação da ONU sobre corpos celestes próximos à Terra, em casos como o do meteorito que caiu na Rússia na semana passada, conselhos simples poderiam ter evitado que tantas pessoas se ferissem.

Johnson concordou com Camacho e ressaltou que é preciso popularizar certos conhecimentos básicos sobre este tipo de fato. “Da mesma forma que as pessoas sabem que quando a maré retrocede (antes de um tsunami) não é um bom momento para tomar um banho de mar, é preciso que elas se conscientizem de que se virem um brilho no céu, é melhor não se aproximar de janelas porque os vidros podem quebrar e elas podem acabar feridas”, exemplificou.

Os dois especialistas participam da Subcomissão Científica do Escritório da ONU para o Espaço Exterior, em Viena, evento realizado até a próxima sexta-feira. E, nessa reunião, um grupo de trabalho das Nações Unidas dirigido por Camacho propôs pela primeira vez um plano de coordenação internacional para detectar asteróides perigosos e, em caso de risco para a Terra, preparar uma missão espacial para desviar suas trajetórias.

Detlef Koschny
, responsável pelo programa de objetos próximos à Terra na Agência Espacial Europeia (ESA), calculou hoje que uma missão espacial para tentar alterar o rumo de colisão de um asteroide com a Terra poderia custar de 200 a 300 milhões de euros (de R$ 500 milhões a R$ 800 milhões).

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