Um site especializado em relacionamentos extra conjugais, esta é a proposta do AshleyMadison.com, uma rede que surgiu com a intenção de, segundo seus idealizadores, unir duas pontas: uma mulher infeliz no seu casamento e um marido não satisfeito com sua parceira. Parece maluquice, mas o canal já existe há 10 anos e está presente em 23 países, inclusive, no Brasil, onde foi lançado em agosto de 2011 e já conta com 800 mil inscritos. 

 

Em entrevista ao Virgula Inacreditável, o representante da empresa no país, Eduardo Borges disse que quando foi criado, o Ashley Madison tinha a intenção de ser um simples site de namoros, mas ao realizarem uma pesquisa, perceberam que 44% das pessoas que procuravam este tipo de serviço on-line já tinham um relacionamento.

“A monogamia não está no DNA do ser humano, quem impõe isso é a sociedade e a nossa cultura religiosa, já que em muitas outras culturas é permitido o casamento entre mais de duas pessoas. Muita gente não consegue viver nesta monogamia, então, ao invés de se divorciar alguns procuram amantes e mantém um casamento feliz. Costumamos dizer que o site existe há 10 anos e nesse tempo já ‘tirou’ o dinheiro de muito advogado especialista em divórcio”, brinca Eduardo, explicando a filosofia da empresa. 

 

Quem acessa o site?

 

O perfil dos usuários são homens de cerca de 40 anos e mulheres na faixa dos 30. Em média são 70% pessoas do sexo masculino e 30% do sexo feminino. O cadastro no site é grátis para todos, mas as mulheres usam os serviços sem pagar nada, enquanto os homens que quiserem conversar com alguma das moças precisam pagar uma taxa, em forma de aquisição de créditos. Desta forma, podem acessar os perfis e conversar no bate-papo. 

“Nosso diferencial é, justamente, o sigilo. Se existe algum risco de o seu parceiro acessar o seu computador nós recomendamos, por exemplo, que o usuário só entre o site no escritório; inclua somente fotos no modo privado (que não permita acessos de pessoas não autorizadas); nunca coloque o nome e e-mails verdadeiros; e não saia do ambiente do site (adicionando as pessoas no Skype, Facebook, MSN etc). Isso reduz o risco do que chamamos de ‘baton digital’ – em referência às famosas marcas de baton no colarinho da camisa”, recomenda. 

Conforme pesquisa entre os cadastrados, 9% dos usuários da rede fica satisfeita apenas em ter um “affair” on line e não precisam se envolver fisicamente com outra pessoa. Os dados também apontam que São Paulo é onde está o maior número de usuários da rede, mas isso se dá, também, por existirem mais internautas no estado. Curiosamente é no Rio de Janeiro onde estão o maior número de mulheres “infiéis”, já que lá  54% dos cadastros são feitos por pessoas do sexo feminino – maior percentual do mundo, já que em todos os outros locais, o publico maior é o masculino.

Eduardo explica que também há um número de solteiros com cadastro no site e que essas pessoas procuram apenas uma “transa sem compromisso”, por isso preferem o site. Segundo ele, as causas que levam homens a trair é apenas uma, sexo. Enquanto as mulheres traem por vingança, carência ou, em último caso, apenas por sexo

 

Polêmica é a alma do negócio

 

Como a maioria do público do site quer manter o sigilo e a infidelidade é um assunto tabu na sociedade, fazer propaganda do Ashley Madison não é uma tarefa fácil e requer bastante criatividade. Um dos últimos anúncios feito pela empresa trazia a seguinte informação nas TVs que ficam dentro dos elevadores:“28% das mulheres casadas fantasiam sexo no elevador com um estranho”, algo que chama a atenção de quem lê. 

Além das inserções com pesquisas curiosas e até engraçadinhas – como a que apontou o ator Murilo Benício como o pai preferido das mulheres infiéis – a empresa já tentou investir no patrocínio de clubes de futebol como meio de divulgação da marca. 

“Tentamos São Paulo, Corinthians, Flamengo, Palmeiras, mas todos negaram com medo de denegrir a imagem do clube. Também tentamos uma parceria com Luana Piovani, Ronaldinho, Ronaldinho Gaúcho e outras pessoas famosas que já tiveram seus nomes associados à infidelidade, mas ninguém topou”, explica Eduardo. 

Entre as diversas investidas em busca de um “garoto propaganda”, Eduardo lembra que nos EUA a empresa lançou o seguinte desafio: quem conseguisse tirar a virgindade do jogador de futebol americano Tim Tebow (conhecido por sua religiosidade), e provasse isso, ganharia US$ 1,5 milhão de dólares, mas até agora, nenhuma mocinha foi buscar o prêmio. 

“Sempre criamos polêmica e essa polêmica nos ajuda a divulgar o site. Buscamos o lado do humor e recebemos sempre dois tipos de feedback: gente que nos manda e-mails agradecendo por termos salvados seus casamentos e alguns religiosos que não veem com bons olhos o que fazemos, mas nunca tivemos problemas com a justiça”, esclarece. 

 

Histórias curiosas

 

Dois casos que chamaram a atenção das pessoas que trabalham com o site foram a de um senhor que estava casado há 30 anos e dizia não ter relações sexuais com a mulher há mais de 3 anos. O homem conversou com os filhos e pediu a autorização deles para fazer o cadastro no site. Com o consentimento dos herdeiros, arranjou uma parceira, fez o que precisava e voltou para o casamento feliz da vida; já uma mulher, contou que decidiu se cadastrar e trair o marido depois que ele lhe deu uma caneta como presente de Natal provando que as mulheres, realmente, traem por vingança. 

Se você ficou interessado, o representante do site garante que o sigilo da página é equivalente a de um internet banking e eles têm o poder de apagar todos os históricos do site, caso seja necessário. Além disso, para diminuir o risco de encontrar alguém das redondezas, o sistema faz uma triagem de pessoas com pelo menos 20km de distância. Boa sorte! 

No Dia do Sexo, saiba mais sobre um site especializado em relações extra conjugais

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