Com gritos de resistência e portando bandeiras do arco-íris, milhares de pessoas se reuniram neste domingo (30), em Istambul, para participar da 11ª Parada do Orgulho Gay da Turquia, a maior até o momento, alimentada pela solidariedade entre todos os coletivos que se veem excluídos por políticas que, segundo eles, cada vez mais são inspiradas no islã.

Mais de 15 mil pessoas desfilaram hoje pela rua Istiklal com palavras de ordem similares as que marcaram as últimas quatro semanas de protestos antigovernamentais em torno ao parque Gezi: “Mano a mano, contra o fascismo” e “Em todas partes Taksim, em todas partes resistência” eram algumas delas.

“Gays e lésbicas estiveram desde o primeiro momento presentes nas manifestações em Taksim, no acampamento do parque Gezi e nas primeiras linhas das barricadas. Nós estamos acostumados a resistir contra a opressão desde que nascemos”, afirmou a cantora Esra, uma das manifestantes presentes.

Esta participação marcou um antes e depois para muita gente que participou dos protestos e, pela primeira vez, demonstrou intenção de expressar sua solidariedade com seus companheiros de luta, explicou a ativista.

“Nós mudamos a forma dos protestos. A princípio, os slogans continham muita linguagem homofóbica, com insultos sexistas ao governo. Trabalhamos para mudar estas expressões e erradicar a rejeição aos homossexuais dentro do movimento”, afirmou Esra.

Assim como nos últimos dias, a polícia turca manteve a Praça Taksim fechada, mas permitiu o percurso dos manifestantes pela rua Istiklal, onde bandeiras do arco-irís, perucas multicoloridas e outras extravagantes fantasias mantinham um espírito festivo.

No entanto, não faltaram as notas mais reivindicativas: vários participantes portavam retratos de Ahmet Yildiz, um militante dos direitos homossexuais que foi assassinado a tiros em 2008, provavelmente por sua própria família, sem que a Justiça tenha condenado ninguém por isso.

Embora a homossexualidade seja legal na Turquia e, em Istambul, não falte bares e clubes voltados a esse público, não há uma legislação antidiscriminatória no país, e as autoridades atuam frequentemente de forma arbitrária de acordo com a visão majoritária, que, por sinal, ainda considera o homossexual como “aberração”.

“As leis não nos protegem, mas o importante é o espírito, só assim vamos acabar com a visão de que as pessoas precisam ser heterossexuais para serem aceitas. Nós estamos nos manifestando hoje por isso, para sermos visíveis”, finalizou Esra.

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