O segundo grande ato contra a Copa, organizado pelo Facebook, com a participação de diversos grupos e movimentos sociais, sofreu grande repressão policial no final da tarde deste sábado (22). Foram mais de 230 pessoas detidas, um recorde de detenções em protestos em São Paulo, com 23% dos presentes na delegacia para averiguação. De acordo com a própria polícia, eram menos de mil manifestantes, número inferior ao efetivo da Polícia Militar.

O pelotão ninja da PM, pela primeira vez em ação em manifestações, cercou grande parte dos detidos. Já nesta sexta-feira circulavam imagens de intimações policiais destinadas a líderes de grupos que participavam da organização, na mesma hora e data do protesto deste sábado. O primeiro protesto, realizado em 25 de janeiro, terminou com 128 detidos e também houve truculência da polícia.

De acordo com relato do jornalista Fabio Leite, a Polícia Militar deteve cinco jornalistas – três repórteres e dois fotógrafos. Um soldado aplicou uma gravata em um deles e o atirou no chão. Os jornalistas ficaram enfileirados no chão da calçada da Rua Xavier de Toledo para serem levados presos em companhia de uma centena de manifestantes. “Os PMs decidiram mantê-los presos mesmo depois de ele terem se identificado com documentos profissionais”, assinala. Um ônibus da PM chegou ao lugar a fim de conduzir dos detidos. Segundo ele, a Polícia Militar fez uma barreira humana na rua para impedir as gravações dos jornalistas.

O coletivo que organizou a manifestação emitiu uma nota, que afirma que a manifestação era para ser sem violência. “Entretanto, a Polícia Militar com grande efetivo veio de antemão para agir com violência. A manifestação não chegou ao fim por conta de sua abordagem usual: bombas, balas de borracha e agressão física que inclusive quebrou o joelho de um manifestante”.

Desde o princípio, antes do início da marcha, afirma o comunicado, os policiais fizeram um desfile militar provocando manifestantes. Mesmo assim, “o ato seguiu forte, composto por diversos grupos, até a altura do metrô do Anhangabaú quando o efetivo desproporcional da PM se lançou sobre um grupo de manifestantes. Agressão, transgressão dos direitos e prisão em massa. Advogados presentes que acompanhavam a abordagem absurda foram agredidos por policiais e impedidos de realizar o seu trabalho”. 

O grupo convoca todos os indignados “contra o estado de exceção que se instala aos poucos no Brasil” para ir à Praça da República, onde a ocupação, iniciada antes da manifestação, ficará até este domingo (23). O coletivo também avisa que em breve será divulgada a data do Terceiro Grande Ato Contra a Copa.

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