Você já ouviu falar na síndrome de münchhausen? Este termo foi inicialmente utilizado para descrever pessoas que, intencionalmente, produziam e apresentavam sintomas físicos para receber tratamento hospitalar freqüente.

Para explicar melhor do que se trata o problema, tivemos acesso a um trabalho realizado no Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, Alemanha, e no Departamento e Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), pelos médicos: Wagner F. Gattaz, Harald Dressing, Walter Hewer e Paula Nunes.

Hoje em dia, a síndrome de Münchhausen está classificada no grupo dos transtornos artificiais com sintomas predominantemente físicos. Os principais critérios de diagnóstico são: produção ou simulação intencional de sintomas e sinais predominantemente físicos; o papel de doente é o que motiva o comportamento; ausência de incentivos externos para o comportamento (ganho econômico, fuga de responsabilidade legal ou melhora de bem-estar físico).

Neste estudo, os médicos relatam o caso de uma paciente de 25 anos, que buscou ajuda no Instituto Central de Saúde Mental de Mannheim, porque pensava em se suicidar. Veja como eles contam a história.

RELATO DO CASO

“Uma investigação detalhada revelou que sua queixa principal consistia de problemas físicos: sofria de dores no tórax que começaram agudamente e estavam conectadas com a respiração. Além disso, caiu quatro vezes nas últimas horas antes de vir à sala de observação. Essas descrições exatas e concisas das queixas pareciam plausíveis e sugeriam que esta paciente extremamente obesa (168 cm, 114 kg) sofria de embolismo pulmonar.

Viajou (aproximadamente 700 km) para Stuttgart e referiu ter desmaido. Foi levada a um pronto-socorro e lá encontrava-se em estado de turvação de consciência […] fugiu, e três dias depois, em outro hospital, foi submetida a uma cirurgia por causa de um abscesso na parede abdominal. Muito embora estivesse com drenos e cuidado cirúrgico complementar fosse necessário, saiu do hospital por conta própria.
A paciente observou que não podia entender seu comportamento nestas últimas semanas. Por algum motivo, quando sentia uma sensação de pânico aumentar, não conseguia resistir ao impulso de sair correndo. Ela sabia estar arriscando muito a sua vida e por causa disso decidiu procurar um hospital psiquiátrico para poder finalmente ser ajudada.
Um exame físico revelou uma enorme lesão supurada no abdômen inferior […] uma das características marcantes eram os dados vagos, imprecisos e parcialmente inconsistentes sobre sua história. Ela parecia bastante amigável, mas afetivamente indiferente e displicente. Seu comportamento social era ligeiramente inadequado.

VEJA A CONTINUAÇÃO DESTE CASO

Sem mais artigos