E aquele sono depois do almoço, como faz? Depois de uma feijoada caprichada ou de um bife de brontossauro à parmegiana, este repórter fica tão lento quanto um zumbi de The Walking Dead, e uma cama macia para capotar é um sonho recorrente. Não foi por menos que, quando soube da existência de um lugar no centro de São Paulo que oferece serviço de cochilos, achei uma ideia deveras boa. Mas como seria dormir fora de casa, em um lugar desconhecido, com a cabeça em um travesseiro que não é o seu? Passei por lá para testar.

A casa do sono, batizada de Cochilo, está a poucos metros do metrô São Bento. Fica em um edifício antigo, e é necessário subir em um elevador daqueles com ascensorista e alavancas para chegar lá. O lugar em si, no entanto, é todo aconchegante, com uma comunicação visual moderninha.

Camila Jankavski (na foto aqui embaixo), sócia do Cochilo, especialista em inovação de design e serviços, nos recebeu e contou que todo o negócio, desde a concepção do atendimento até a construção das camas, foi idelizado por ela e seus pais.

“A ideia veio da minha mãe, a partir de uma necessidade do meu pai. Ele sempre cochilou depois do almoço, em casa. Um dia, ele foi para uma reunião bem longe, que começaria às 10h, mas que foi adiada para as 15h. Ele esperou dar o horário por lá, mas, depois do almoço, ficou com sono e não conseguiu achar um lugar para deitar. Ele conversou com minha mãe por telefone, irritado, e ela se deu conta de que não havia lugar algum em São Paulo para tirar um cochilo”, explicou.

Depois de dois anos de planejamento, a primeira loja foi aberta em julho de 2012, na Rua Augusta, com quatro cabines de cochilo. Em 2013, o negócio foi para o centro da cidade e ampliou para 20 espaços individuais.

Dei uma olhada nas cabines, equipadas com painéis de controle de som, luz e tempo de cochilo. Minha soneca parecia promissora. Tirei o tênis, peguei um cobertor e deitei em uma das camas para uma soneca de meia hora. A princípio, estranhei o formato da cama, desenhada em forma de “S”. A configuração, me disse Camila, acomoda melhor a região lombar e melhora a circulação sanguínea, já que os pés ficam acima da linha do coração. Ainda assim, pensei, preferia meu velho sofá em casa, por estar acostumado.

Coloquei o fone de ouvido da cabine e passei alguns minutos ouvindo músicas relaxantes e som de água correndo. Bateu uma serenidade, mas não achei que conseguiria cochilar ouvindo sons. Tirei o fone e, depois de alguns minutos olhando as coisas à minha volta, fechei os olhos e consegui desligar. Foi um bom cochilo.

“Você está mais feliz?”, perguntou Camila, quando saí da cabine. “Bastante. Eu queria ter uma dessas perto da redação do Virgula”, respondi. Ela contou que sua empresa está ligada a todo um movimento pró-bem-estar, de revalorização do hábito do cochilo, e que o objetivo é expandir o negócio. Em outubro, eles abrirão uma unidade no Itaim, mas ainda não há nada planejado para perto do meu trabalho. Uma pena (estou pensando em deixar um colchão debaixo da mesa, aqui na redação).

SERVIÇO – COCHILO
Quando: De segunda a sexta, das 7h às 19h
Onde: Pça Antonio Prado, 33/ conj. 710, 711 – Ed. H Lara – perto do metrô São Bento
Quanto: A partir de R$ 10 (cochilo de 15 minutos)

Sem mais artigos