A Copa do Mundo entra neste sábado na fase de oitavas de final e 4 milhões de turistas, 600 mil deles estrangeiros, circulam pelas 12 sedes, muitos dispostos a pagar até US$ 250 para “alugar amigos” que mostrem as cidades com um olhar diferente.

O “amigo de aluguel”, contratado para mostrar as cidades com um ponto de vista diferente do de um guia turístico, está disponível no site Rent a Local Friend (rentalocalfriend.com), criado pela brasileira Alice Moura, que uniu a paixão pelas viagens com o poder da internet.

A ideia, que surgiu do interesse comum de “colegas viajantes”, parte do “conceito principal de encontrar alguém parecido para ser seu amigo, que fale a mesma língua e tenha os mesmos interesses para fazer um tour diferenciado”, explicou Alice à Agência Efe.

A “amiga de aluguel” Aline Silva, que há um ano trabalha no campo, se interessou pelo trabalho depois de receber um grupo de chineses em São Paulo, que gostaram das suas recomendações e sugeriram que entrasse para o Rent a Local Friend.

“Quando registrei meu perfil era para ter uma fonte de renda extra, mas com algo prazeroso como uma rede social de viagens, uma forma de praticar outro idioma e a oportunidade de conhecer culturas diferentes”, destacou Aline, também especialista em marketing.

Com domínio do espanhol e do inglês, Aline presta seus serviços em São Paulo com uma proposta de tours “inusitados e exóticos” para pessoas com gostos semelhantes aos dela.

“Cada perfil atrai um tipo de pessoa, mas no meu caso atraio turistas corporativos que vêm pela primeira vez a São Paulo, e com a Copa o volume aumentou”, ressaltou.

Aline adapta seus horários de trabalho para poder ser “amiga de aluguel” e tem feito em média seis tours nos fins de semana por mês, faturando R$ 1.500, “fazendo coisas de que gosto”, com o benefício de “conhecer novas culturas”.

O projeto dá prioridade à identificação de perfis afins, já que os “amigos de aluguel” disponibilizam fotos, contatos e um texto em que explicam seus gostos.

“Vivi em Londres há seis anos e depois me mudei para Lisboa. Nessa fase visitava muitos amigos e ficava na casa deles, as viagens eram divertidas e autênticas, com companhia”, lembrou Alice.

A fundadora do projeto acrescentou: “É um estilo de viagem que me agradava muito e sempre buscava alguém com gostos parecidos em cada viagem, para ter um circuito alternativo”.

Essa experiência pessoal levou Alice a aumentar seu número de amigos “informalmente”, até iniciar a ideia de criar “uma comunidade online na qual é possível trocar culturas sem sair de casa” e ganhar um dinheiro extra.

Há dois anos, o site se transformou em uma plataforma global, que também classifica o serviço prestado pelos “amigos de aluguel”.

Hoje o site tem “amigos de aluguel” de 22 países, e no Brasil há pessoas de 24 cidades.

Os “amigos de aluguel” custam em média US$ 100 mas, dependendo das necessidades, o turista pode pagar até US$ 250.

O valor, no entanto, pode ser definido diretamente entre o turista e o “amigo de aluguel”.

Aline, que também é guia turística “tradicional”, contou que vários de seus colegas de trabalho entraram no projeto e preferem trocar, às vezes, museus e pontos turísticos por simples visitas ao supermercado, e acompanhar turistas em restaurantes ou nas compras.

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