São dele (apenas) os brincos mais pedidos da TV Globo. Usado pela personagem de Tainá Muller, na novela “Em Família”, o acessório-desejo é criação de Christopher Alexander, designer de joias de 29 anos. Antes de aparecer nas telas enfeitando orelhas de celebridades como Grazi Massafera, Sabrina Sato e Bruna Marquezine, as criações de Christopher já eram usadas pelas mulheres mais lindas e interessantes do eixo São Paulo-Rio.

São brincos que aparecem, têm volume e movimento e ainda são leves (acredite!). Peças que têm a capacidade de adicionar poder à personalidade visual da mulher de modo instantâneo. Em entrevista ao Virgula Lifestyle, Christopher falou sobre como adentrou no mundo do design, como ter multiplicidade de referências ajuda na autenticidade do trabalho criativo, entre outros assuntos. Leia abaixo a conversa:

Virgula Lifestyle: Christopher Alexander é seu nome de batismo ou é um rebatismo artístico?

Christopher: É arte da minha mãe mesmo. Ela é formada em línguas e então escolheu um nome em inglês e um em grego para mim. Tem um matemático superfamoso com o mesmo nome que o meu. Mas descobri que é uma combinação de nome bem comum fora do Brasil.

Como você adentrou no mundo do design de joias?

Terminei o colegial e não sabia qual faculdade fazer e, até decidir, fui trabalhar numa loja. Acabei não fazendo nenhum curso superior. Comecei a desenvolver as peças como um hobby e lancei as primeiras em 2008, para a marca As Gêmeas.  Em 2010, fiz um curso de designer de joias na Escola Panamericana, em São Paulo.

Mas em qual momento você sentiu que queria enveredar pelo lado da criação artística?

Sempre gostei de arte e de desenhar. Aos 13 anos fiz um curso de História da Arte e todo mundo que fez o curso comigo tinha mais de 30 anos.  Quando comecei a criar minhas primeiras peças as pessoas que compravam me incentivavam a criar mais e mais. Porém, nunca pensava que isso poderia se tornar realmente um negócio.  Sempre soube o que eu gostava, mas não imaginava que poderia ter uma marca própria e investir nisso.  

Há quanto tempo existe a marca Christopher Alexander?

Oficialmente, há 3 anos.

E quantas coleções você já criou?

Tenho 3 coleções constantes desde que iniciei minha marca. Meio que vou criando novos modelos dentro desses temas já existentes. Mas fiz e faço coleções para outras pessoas e marcas como Oh!Boy, Alcaçuz, Gato Bravo, André Lima, Juliana Jabour, Valérie Ciriadès, Neon, entre outras.

Você cria e executa os brincos?

Sim. Eu crio, desenho e defino tudo o que quero em termos de material, acabamento e todos os detalhes. Faço o protótipo da peça com um fornecedor e depois eu mesmo monto todos os brincos à mão. Gosto de brincos com movimento e forma. 

No que você se inspira e toma como referência na hora de criar?

Em coisas que gosto de verdade e acredito. Ao longo dos anos, fui criando um universo muito particular com referências e imagens. Tenho uma relação muito forte com o passado, especialmente na questão estilística, de decoração, literatura, de filme, vestuário com o século XVIII e XIX, que eu sempre adorei.  

Para você ter uma ideia, o filme que eu mais gostava de ver quando criança era “Sissi” (1955), sobre a imperatriz Elisabeth da Áustria. Então, sempre tive essa relação com coisas de outras épocas e não exatamente a que eu vivo. Essa criação de referências é o que faz você ter uma identidade no seu produto/trabalho que as pessoas reconhecem e sabe que é genuinamente seu.  Quando alguém fala que vai começar uma marca própria… Você tem que ter uma identidade visual, estética. Se você não tem isso, não é em 5 dias que você vai ter. E não adianta você ter o melhor profissional de marketing ou de branding que você não vai convencer as pessoas.

Como esse universo particular de referências mantém sua capacidade de inovação?

Há muitas coisas que eu quero fazer de coleções, ideias, temas que fico até perdido. É uma fonte inesgotável e espero que continue assim. Há tanta coisa nova a ser explorada. Mas isso também não é uma preocupação, de sempre fazer algo inovador. Desenho uma coisa que eu ache lindo e eu goste, que minhas amigas gostem e daí está aprovado. Desde então isso tem dado certo. E como também eu sou uma marca que não acompanho o calendário das estações da moda, isso me dá uma liberdade maior de criação. Então, o fato de você não ter que apresentar uma coisa nova a cada 6 meses me dá esse respiro e fico naturalmente livre para criar.

Qual o diferencial das suas peças?

O feedback que tenho das pessoas é o de que sou verdadeiro com aquilo que admiro e gosto. Não estou inventando. Então, acho que essa autenticidade é um diferencial  e o exercício de criar esse moodboard de referências constantemente. Se você trabalha com qualquer coisa ligada a arte, design ou criação você tem que ver filmes, ler, conhecer  o mínimo de música, tem que ter referências sobre o que já foi feito em diversas plataformas artísticas.

Quais mulheres você admira e gostaria que usassem suas criações?

Romy Schneider. Ela é um ícone para mim desde quando eu era criança. Ela interpretava a Sissi, do filme que eu tanto assistia. Depois disso, só fez filmes polêmicos, com o Luchino Visconti, teve um filho com o Alain Delon. Ela é linda, tem sex appeal. É um tipo de mulher que existiu e nunca terá nenhuma outra igual.  Tem também a Jeanne Moreau que ainda está viva. Muito sofisticada, chique.  A Isabelle Huppert e a Stéphane Audran.

A musa inspiradora Romy Schneider

Qual é o perfil da mulher que usa suas peças?

Acho que acima de tudo, é uma pessoa com personalidade forte. Não é uma questão de idade, estilo ou lifestyle. Não tem medo de se sentir poderosa ou intimidar. Que segura a onda do brinco.

[Top 5 referências- Christopher Alexander]

1) Marcel Proust: “É um escritor que é referência para qualquer pessoa que trabalha com arte ou moda. A literatura dele é uma pintura. Ele consegue pintar um quadro lindo só com as palavras dele.  Tem um universo descritivo muito rico que me identifico. Ele é uma referência muito forte”.

2) Cinema francês: Filmes da Nouvelle Vague. “Sou apaixonado pela Jeanne Moreau”.

3) Música clássica: “É o que eu ouço em casa. Antes eu ouvia muito mais coisas, mas hoje em dia é música erudita. Gosto do período Barroco. Amo Vivaldi e Scarlatti.

4) Anos 60: “Adoro a época da Belle Epóque, mas ultimamente tenho gostado gostado bastante das coisas vindas dos anos 60”.

5) Lucio Fontana: “É um artista plástico que teve seu auge nos anos 50/60 e tem uma série de quadros que parecem uns riscos no papel. Ele é maravilhoso, muito chique. É o fundador do espacialismo”.

 

 

 

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