Recentemente, durante o Festival de Cannes, atrizes ganharam as manchetes ao dizerem não à ditadura do alto e desfilarem pelo tapete vermelho descalças, como forma de protesto contra o dress code exigido pela organização. Em outra ocasião,  Nicola Gavins postou uma foto dos pés ensanguentados de uma mulher que trabalhava de salto como garçonete em um restaurante em Edmonton, no Canadá. A política da empresa era que todas as funcionárias deviam seguir a regra,  a menos que houvesse restrição médica. No mesmo período a recepcionista inglesa Nicola Thorp foi suspensa do trabalho por se recusar a usar salto. A funcionária ainda criou uma petição online para pedir o fim do direito das empresas de demitir funcionários que não acatem códigos de vestuário.

Fiever 1          Crédito: Reprodução/Facebook/FIEVER

Apesar de todo o burburinho, será que a ditadura do salto realmente acabou? A expectativa é que sim. No Brasil, inclusive, há uma crescente de lojas especializadas em sapatos flat ou tênis. “É uma tendência mais democrática. Antigamente, você tinha uma questão de dress code, em que você não iria para tal lugar que exigisse uma roupa mais formal sem um salto. Hoje, isso não acontece. Você pode ser elegante com um sapato flat em uma situação formal”, afirmou Bia Paes de Barros, consultora de estilo, em entrevista ao Virgula. “Acredito super no fim da ditadura do salto, porque as mulheres estão em busca de conforto e, principalmente, porque existe a possibilidade de estar bem arrumado usando um sapato sem salto”, continuou.

Camila Coelho

Camila Coelho

Reprodução/Instagram

No meio desse turbilhão, a marca Fiever apareceu com propostas bem interessantes e diferentes de tênis, unindo conforto e estilo. A grife de sapatos é comandada por Marianna Arnizaut, um nome conhecido por aqueles que gostam de sapatos com uma pegada mais cool. Marianna era responsável pela criação da extinta New Order. “Acredito que nos últimos anos as mulheres ganharam espaço e liberdade para se vestir do jeito que realmente se sentem confortáveis, sem uma pressão externa da sociedade do que é aceitável ou não. Nesse movimento, o salto alto perdeu sua força por ser algo desconfortável e, então, as flats e os tênis entraram com tudo no cenário da moda”, opinou a responsável pelas criações da Fiever.

A marca, que faz parte do grupo Arezzo, é voltada principalmente para os tênis, que procuram expressar um essência urbana, versátil e despretensiosa. “Tênis não são mais um desejo dos sneackerheads – termo relacionado aos adeptos da cultura urbana Sneaker (tênis, em inglês) -, eles têm invadido as passarelas de High Fashion e são muito vistos no street style durante as Semanas de Moda. Dependendo do ambiente de trabalho, o tênis é super bem aceito ao ser combinado com um look mais social”, explicou ao Virgula.

Na mesma pegada, a Anacapri ganha cada vez mais clientes por ser uma marca que aposta 100% nos sapatos sem salto. “Hoje em dia a mulher encontra uma infinidade de produtos, como tênis, espadrilles, mocassins, resteiras, oxford, para deixá-la linda e confortável em diferentes as ocasiões”, ressaltou Yumi Chibusa, diretora da marca. “Sapatilha sempre foi e continuando sendo um grande hit dentro da Anacapri, mas já podemos afirmar que os tênis estão entre os mais procurados pelas nossas clientes”, contou.

“As primeiras mulheres na história a usarem sapatilhas foram as francesas, que inspiram elegância e sofisticação. Audrey Hepburn, uma das mulheres mais admiradas por sua elegância, vivia de sapatilhas. Com a variedade de modelos, com certeza, as flats deixem a mulher elegante e confiante”, afirmou.

Anacapri               Crédito: Reprodução/Facebook/Anacapri

Elegância e (zero) sofrimento

Para aquelas mulheres que acham que apenas o salto dá a elegância e o porte necessário para um roupa ou, então, que dão um ar “muito masculino” ao look, a consultora Bia Paes de Barros prova que não. ‘Acho que é exatamente o contrário. Um oxford, um mocassim, principalmente agora no inverno, são elegantes. Mas quanto mais masculino é o sapato, mais feminina deve ser a roupa, um vestido ou (uma roupa com) tecido muito leve”, aconselhou.

“A moda é uma representação direta da identidade, trazendo à tona o que somos ou como nos sentimos. Por isso, acompanha a evolução e é testemunha desse processo. Entendemos que os tênis (ou flats) não se relacionam diretamente com gênero masculino ou feminino e sim com a identificação do lifestyle urbano”, opinou Marianna Arnizaut, da Fiever.

 

Sem mais artigos