O músico Bob Dylan recebeu nesta quarta-feira das mãos da ministra da Cultura da França, Aurélie Filipetti, a Ordem Nacional da Legião de Honra, com o que se encerra a polêmica iniciada no último mês de maio pela nomeação do americano a esta distinção.

A imprensa francesa lembrou hoje que o músico, de 72 anos, tinha sido considerado “indigno” dessa distinção por seu posicionamento pacifista durante a Guerra do Vietnã e pelo consumo de drogas.

Segundo o jornal satírico “Le Canard Enchainé”, a Grande Chancelaria, o organismo que outorga a condecoração, rejeitou em maio sua candidatura, uma recusa que posteriormente fez Filippetti expressar, na emissora “BFM TV”, sua confiança que “tudo se ajeitaria”.

Em junho, o conselho decidiu seguir adiante com o procedimento e o grande chanceler, Jean-Louis Georgelin, acabou reconhecendo que era certo que tinha descartado “uma nomeação direta sem a deliberação do conselho”, indicou o L’Express em seu site.

Superadas essas questões, a ministra da Cultura, responsável direta de sua nomeação inicial, louvou Dylan hoje durante a cerimônia, a quem descreveu como “um poeta rebelde”, inspirado “pelas mais belas plumas da dissidência, pelo verbo incisivo dos que são a voz dos que não têm voz”.

“Cantor da eterna juventude e do espírito livre, não pertence a nada nem a ninguém. Herói de uma juventude ávida de justiça e de independência, poeta cuja estética se dirige ao coração do povo, vossa voz é um grito de liberdade, o sinal do poder evocador das palavras”, disse Filippetti.

Por tudo isso, a ministra considerou que Dylan “encarna melhor que ninguém para a França esta força subversiva da cultura que pode mudar as pessoas e o mundo” e destacou que o cantor ocupa no coração do público francês “um lugar especial”.

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