Duran Duran volta ao Brasil pra conquistar novos fãs

O baixista John Taylor, do Duran Duran, é fã de Marisa Monte e Tom Jobim

Quando esteve no Brasil pela primeira vez, em 1988, o Duran Duran estava no auge da carreira, divulgando o disco Notorius e fazendo meninas perderem a voz com seus cabelos impecáveis trabalhados no laquê. Lá se foram 23 anos desde aquela apresentação no Hollywood Rock, e a banda está de volta, como uma das principais atrações do festival SWU 2011. Vai ser a deixa pra muito fã, como eu, ver a banda de novo, agora com menos reflexo no cabelo e muito mais histórias na bagagem.

Afinal são 30 anos de banda e um histórico de hits nas paradas de sucesso de fazer inveja. O Virgula Música conversou por telefone com o baixista – e principal “don juan” da banda nos anos 80 – John Taylor pra descobrir como é afinal estar numa banda de sucesso há tempo. “Esses caras são o que eu tenho como irmãos. Temos muito respeito um pelo outro. Ninguém fala um ‘fuck you’ entre nós. Passamos a nos respeitar como uma família mesmo”, disse o músico, que se apresenta ao lado de Simon Le Bon (vocal), Nick Rhodes (tecladista) e Roger Taylor (bateria).

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Se você caiu de pára-quedas na Terra e não sabe do que estamos falando, um breve resumo. O Duran Duran se formou na Inglaterra em 1978 no embrião do movimento new romantic e, de lá pra cá, lançou hits gigantescos, como Girls On Film, Save a Prayer, Rio, Notorious, Hungry Like The Wolf, Planet Earth, The Rephlex… Em 2011 lançaram o que todos poderiam apontar como um disco caça-níqueis para retornar aos palcos, mas não: All You Need Is Love é um belo álbum que traz o que o Duran sabe fazer de melhor: pop romântico, dançante até, sem ser piegas.

Eles estão entre as principais atrações deste domingo no SWU, ao lado de Peter Gabriel e Hole. Leia abaixo a entrevista com o músico. 

Virgula – Estava lá quando vocês tocaram no Hollywood Rock em 1988 para um estádio lotado em São Paulo. O que você lembra desse show?
John Taylor – Nossa! Era a Notorius Tour, tínhamos uma banda enorme nos acompanhando. Foi nossa primeira vez no Brasil e foi incrível. Nunca tínhamos feito um show pra tanta gente na vida. Lembro que no festival tinha também Simply Red, UB 40, Supertramp, um line-up impressionante. Naquela época, eu tinha um pouco de medo do Brasil. Lembro das pessoas dizendo pra não fazermos um monte de coisas, que era perigoso sair do hotel. Fiquei muito feliz quando voltamos em 2008 e vimos que as coisas estavam diferentes, pra melhor. Saí pra passear, fui comprar discos, adoro Tom Jobim e Marisa Monte, e pude me aproximar mais da cultura brasileira.

Virgula – Pra quem viu o show de 88, qual é a principal mudança do Duran Duran ao longo desses anos?
John Taylor – Acho que agora estamos melhores do que em 88, como banda. Claro que não podemos competir com a experiência de quem viu nosso show aos 13 anos de idade, como é o seu caso, porque essa é a época mais especial da vida. Mas acho que como grupo nos sentimos melhores. Por exemplo, nosso show no festival Coachella (EUA) este ano foi espetacular e tenho certeza de que ganhamos novos fãs lá.

É legal poder mostrar pro fã do Strokes quem somos e que somos bons. Sei que no fim das contas tocamos para muitos dos nossos fãs dos anos 80 também, mas, essa variedade na plateia, poder agradar gente de várias gerações é o que nos motiva. Gostamos de pensar que somos um pouco como David Bowie. Um fã de música boa, de qualquer idade, irá eventualmente se interessar pela discografia dele.

Virgula – Vocês foram uma das bandas de maior sucesso dos anos 80, com uma penca de hits ao longo da carreira. Hoje o sucesso para muito mais pulverizado, todo mundo têm acesso às músicas sem pagar. Como é viver isso?
John Taylor – Verdade que fomos uma banda de hits, e não temos mais a pretensão de fazer grandes sucessos comerciais na nossa carreira. Não é mais essa a ideia. Mas enquanto houver gente interessada em boa música, estaremos lá pra tocar. Nos anos 80, a gente ficou muito viciado no sucesso, afinal, o que seria o Duran Duran sem os grandes hits? Mas já vivemos isso e hoje nossa identidade é ser uma banda que, mesmo depois de tanto tempo, ainda quer trabalhar junta.

Escolhemos estar juntos, e isso é bem importante no resultado do trabalho. Não estamos no palco por obrigação. Ainda queremos fazer música que mude a vida das pessoas.

Virgula – A história de vocês é muito baseada em grandes álbuns. Como vê a cultura do disco se esgotando?
John Taylor – Às vezes penso que as bandas estão morrendo. Existe a cultura de DJ, a do hip hop. Se você olhar nas paradas de sucesso, no top 30, quase não tem bandas lá. A maioria dos hits vem de produtores e cantores. Nos anos 70, discos eram feitos por 10, 20, 30 pessoas até, eram grandes orquestras, engenheiros, produtores, músicos, cantores, havia muitas almas envolvidas… Hoje se faz um disco com duas pessoas, não é lá muito profundo. Mas nós continuamos fazendo que o que fazíamos, quase que totalmente do jeito que fazíamos. Realmente é um desafio. O que nos deixa mais putos é quando dizem que ainda estamos juntos por dinheiro. Mas é o seguinte: as pessoas com quem eu gosto de fazer música estão no Duran Duran.

Virgula – Vocês vivem a mesma rotina há tanto tempo… e são das poucas bandas dos anos 80 que nunca brigaram publicamente...
John Taylor – É como trabalhar num escritório. Se as pessoas são legais, pode ser legal trabalhar num escritório. Esses caras são o que eu tenho como irmãos, são meus três irmãos. Tenho orgulho do que fazemos. Neste verão, o Simon perdeu a voz, e a gente teve que cancelar quatro meses de trabalho, de turnê. Em vez de ficar com raiva dele, eu fiquei gostando mais ainda do cara. Suas cordas vocais são a parte mais sensível da banda. Tivemos que passar por muita coisa ao longo da carreira. Nos respeitamos muito. Ninguém fala um “fuck you” entre nós. Passamos a nos respeitar como uma família mesmo.

Não  existe uma faculdade pra ensinar como é estar numa banda por 30 anos. Nos conhecemos em 1980! E ainda estamos um na vida do outro. Temos que reinventar a relação constantemente. Claro que poderíamos escolher sair andando, como pode acontecer numa família também. No meio dos anos 80, todos nós ficamos um pouco “monstros”, nossos egos inflaram e viramos um pouco terríveis – menos o Roger, que sempre foi um lord. Aquele foi um momento difícil, com tanta turnê, baladas, drogas. Mas se sobrevivemos aos anos 80, agora somos capazes de qualquer coisa juntos!

Virgula – E o Brasil, desta vez vai dar pra ficar e visitar?
John Taylor – Estou querendo, sim. Adoraria conhecer a Bahia. Você me recomenda?

Atração do domingo no SWU, Duran Duran volta pra conquistar novos fãs

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