Acusado de racismo, Bob Dylan está sendo processado por uma associação comunitária croata. O grupo, sediado na França, sentiu-se ofendido devido às observações feitas pelo músico à revista Rolling Stone francesa no ano passado. Tanto Dylan quanto a publicação respondem à acusação.

Parece absurdo uma ação desse tipo voltada a Dylan, sempre defensor dos direitos civis. A comunidade croata não gostou de uma resposta específica do cantor, que foi perguntado sobre possíveis paralelos entre a época da Guerra Civil Americana e os dias de hoje. A resposta dele foi a seguinte (em tradução livre):

“Hum, não sei como colocar isso. Os Estados Unidos se queimaram e se destruíram por causa da escravidão (…). Foi muita matança. 500.000 pessoas? Muita destruição para acabar com a escravidão. E isso foi o que realmente aconteceu.

O país é muito f***** no que diz respeito à cor. É uma distração. Pessoas se estrangulando só porque são de cores diferentes. É essa a altura da loucura e isso impede o progresso de qualquer nação, comunidade, de qualquer coisa.

Os negros sabem que alguns brancos não queriam desistir da escravidão, que, se fosse por eles, os negros ainda estariam sob o cabresto. Eles não podem fingir que não sabem disso. Se você tem um senhor de escravos ou alguém do Klan em seu sangue, os negros podem sentir isso.

Essa coisa permanece até hoje. Assim como os judeus podem sentir sangue nazista e os sérvios podem sentir sangue croata”.

Por ter se referido à rivalidade entre maioria católica croata e a minoria cristã ortodoxa sérvia de forma generalizada, a declaração de Dylan enfureceu a comunidade croata.

“É incitação ao ódio”, afirmou Vlatko Marić, secretário-geral do conselho que move a ação contra Dylan e a Rolling Stone. “Você não pode comparar os criminosos croatas a todos os croatas. Mas não temos nada contra a revista Rolling Stone ou Bob Dylan como cantor”, explicou-se.

De acordo com o site Slate.fr, em casos como esses, em que o acusado não reside no país, a ação deve demorar até 18 meses para ser concluída. Caso sejam considerados culpados, Dylan e a revista podem ter enfrentar sanções formais e multas.

Fonte: Business Inside

 

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