Idolatrado pelos indies tupiniquins por misturar elementos do folk, psicodelia sonora e visual com influências do tropicalismo, Devendra Banhart se apresentou com sua banda na noite nesta quarta-feira (13), no Cine Joia, em São Paulo. 

Nascido nos Estados Unidos, o cantor e compositor passou parte da infância na Venezuela, país onde nasceu sua mãe. Isso talvez justifique a aproximação com a cultura latina e influências brasileiras que vão de Caetano Veloso, Secos e Molhados, Novos Baianos até os escritos modernistas de Oswald de Andrade (diz a lenda que Devendra se descobriu como artista depois que leu Manifesto Antropofágico).

Marcado para às 22h, o show, que teve ingressos esgotados, foi iniciado com meia hora de atraso. O público, cerca de 1.200 pessoas que se aglomeraram na pista inferior e no segundo piso do Cine Joia, aguardava ansiosamente a entrada do cantor. Inclusive, uma pessoa da produção do local disse que até o cantor estava impaciente com o atraso e pediu, em bom português, para que o show começasse logo. A real é que, mesmo depois da hora prevista, a fila de entrada ainda era grande.

E eis que as luzes do palco se acendem e surge Devendra! Com visual mais polido do que o hippie abravanation de alguns anos atrás, ele apareceu de cabelos curtos, barba e usando camisa e calça jeans ajustados ao corpo magro e esguio, combinados com mocassins de couro marrom e meias amarelas (ok, ele pode!).

Parece que essa aparente “polidez” também se estendeu para o lado musical do cantor. Foi um show executado com melancolia e delicadeza, embora a falta de hits, por vezes, tenha feito a apresentação cambalear para o burocrático. Nos últimos três anos, Devendra passou por um período dedicado ao desenho e às artes visuais. Dessa fase intimista surgiu seu oitavo disco, Mala, lançado no início de 2013. E foi com uma apresentação repleta de músicas deste último trabalho que ele abriu o show com Golden Girl.

Mas parece ter sido a partir de Baby (do disco What Will Be, de 2009), a terceira do set, que o público começou a se familiarizar com o show. No geral, foi uma apresentação para “iniciados” nessa fase mais introspectiva do cantor. Acompanhado dos músicos Noah Georgeson (guitarra), Josiah Steinbrick (guitarra e teclados), Todd Dahlhoff (baixo) e Mattew Copton (bateria), ele contou com a participação do amigo e colaborador de longa data, Rodrigo Amarante (que se dividiu entre violão, guitarra, teclado maracas e backing vocal).

“Me desculpem! Eu não falo português muito bem. Eu tento, ‘pero’, sai um portunhol, ou portunhês”, declarou Devendra no momento que ficou sozinho no palco e cantou quatro músicas. Foi uma apresentação para fãs que sabiam todas as letras e que decoraram até as respirações compassadas do cantor. Embora, num momento, não sabiam que Yellow Little Spider “não era uma música para se bater palmas e sim uma história”. Devendra deu esse recado torto ao público no meio da canção.

Ele se apresentou durante 1h30 e cantou 22 músicas. Mesmo depois de anunciar Your Fine Petting Duck como “essa é a última música. Obrigada e boa noite para vocês”, Devendra e banda retornaram para cantar a Carmensita, (cujo clipe tem a atriz e ex-namorada de Devendra, Natalie Portman). Uma única canção de bis e tchau!

Foi uma apresentação bonita. E isso se deve ao notável amadurecimento musical de Devendra mas, talvez tenha lhe custado a perda da ternura e carisma com o público.

Este foi o primeiro dos quatro shows que Devendra fará no país. Ele se apresentará nesta sexta-feira (14) no Rio de Janeiro. Depois, fará shows em Fortaleza e Porto Alegre.

Veja o set list do show de Devendra Banhart no Cine Joia (13/11)

1. Golden Girls
2. Für Hildegard von Bingen
3. Baby
4. Brindo
5. Daniel
6. Bad Girl
7. Seahorse
8. Something French
9. Quedate Luna
10. The Body Breaks
11. A Sight To Behold
12. Little Yellow Spider
13. At the Hop
14. Niño Muerto
15. Mi Negrita
16. Never Seen Such Good Things
17. Shabop Shalom
18. Hatchet Wound
19. I Feel Just Like a Child
20. Cristobal Risquez
21. Your Fine Petting Duck

Bis

22. Carmensita

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