Ela tem feições de índia, ar de diva e plena noção do movimento cultural que representa. “O tecnobrega é original da floresta amazônica. Mistura batida eletrônica, brega, carimbó, guitarrada e ritmos regionais. É música brasileira e é isso que importa”, rasga Gaby Amarantos, que acaba de lançar seu primeiro clipe solo, com a faixa Xirley.

“Eu vou samplear, eu vou te roubar”, o refrão do single é seu mais sincero cartão de visitas. “O tecnobrega é um pouco disso, ele começou na informalidade”, ressalta. E foi nessa informalidade que Gaby ouviu pela primeira vez a canção que iria se tornar sua marca registrada.

“Fui tocar em um festival em Recife e ouvi essa música. Enlouqueci, queria saber de quem era. Alguém me disse que era de um grupo chamado Zé Cafofinho e Suas Correntes, entrei em contato com eles e pedi para gravar a música. Essa letra é um pouco a história da minha vida”, conta.

Dirigido por Priscilla Brasil, o vídeo de Xirley foi totalmente produzido em Belém do Pará. “O clipe mostra a história de uma mulher pobre que acaba fazendo sucesso. Ela começa paupérrima e termina rica e completamente louca. Deu muito trabalho, foram seis dias de gravação, um monte de cenários e uma produção enorme”.



Assim como Xirley, Gaby chegou para abalar. A cantora ganhou destaque na mídia internacional, têm faixas em coletâneas de música brasileira para gringo ouvir, toca em casas descoladas de São Paulo e é uma das principais atrações do VMB 2011, a premiação da MTV.

Mas não só de brega vive a diva, a morena quer provar que música popular também pode ter boas referências. “A minha família é de sambistas. Quando era criança ouvia Clara Nunes, Cartola e Pixinguinha. No bairro em que cresci a rádio poste toca música da Guiana, além de muito brega. Também gosto de rock, de trash metal e dubstep”, conta com orgulho.

“Nós temos que acabar com essa segregação musical, nosso país é muito rico culturalmente, temos que dar valor ao que produzimos aqui. O meu trabalho é uma forma de dizer para as pessoas preconceituosas: ‘ouve isso aqui, olha aonde chegamos e somos capazes de fazer muito mais”.



Há um ano a cantora deixou a banda Tecno Show para seguir carreira solo. Porém, a morena já tem muito tempo de estradas e várias histórias para contar. “Comecei cantando nas missas da igreja do meu bairro, depois me apresentei em uma churrascaria e em seguida comecei a cantar MPB em barzinhos de Belém. Mas o que eu gosto mesmo é de cantar brega, então comecei a investir nisso”.

 Além de uma voz impressionante, Gaby chama atenção por uma incrível presença de palco e seu figurino ousado. “As pessoas acham que eu copio a Lady Gaga, mas se você pegar um vídeo meu de 15 anos atrás vai ver que eu já me vestia assim. A Gaga abriu a cabeça das pessoas para isso, mas ela não inventou nada. Temos artistas brasileiros como Ney Matogrosso, Maria Alcina e Clara Nunes que usam roupas incríveis há anos”.

Essa originalidade conquistou o coração de fashionistas como Valério Araújo e André Lima que agora fazem a assessoria de moda da paraense. “Eu não tenho medo dessa coisa das pessoas estereotiparem, sabe? Eu sei quem eu sou e sei das minhas raízes, isso que importa”. 



O primeiro álbum da cantora chega às lojas apenas em 2012. Mas já vá se acostumando, você ainda vai ouvir falar muito nessa morena. E para os críticos de plantão, Gaby deixa seu recado: “Quem entendeu, entendeu. Quem não entendeu ‘um beijo e um queijo’, como diria minha avó”.

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