A música de culto aos orixás sempre teve papel determinante na música brasileira, como no caso dos Afro-Sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes. Nos últimos tempos, no entanto, ela está de volta não apenas como base para grupos como o Metá Metá, mas também nas festas e pistas de dança. Para marcar o Dia de Iemenjá, celebrado neste sábado (2), o Vírgula Música conversou com alguns destes DJs que estão contribuindo para levantar o astral das baladas e quebrar o preconceito.

DJs como Tudo, Paulão, Tutu Moraes, Thomas Haferlach (Voodohop) têm tocado sons afrorreligiosos em alta rotação. “A dança é uma parte importante do ritual dos terreiro brasileiros, não so por causa da tradição africana , mas também pela tradição indígena. Isso vai estar presente também nas festas de rua e chega na nossa música”, afirma Alfredo Bello, o DJ Tudo. 

Dono de um selo especializado em cultura popular, o Mundo Melhor, responsável por registros em todo Brasil, e também baixista e compositor, Alfredo lidera uma big band. Nesta sexta, ele faz o show de lançamento do DVD Nos Quintais do Mundo Melhor – DJ Tudo e sua Gente de Todo Lugar, com participação especial de Letieres Leite da Orkestra Rumpilezz, Ligiana Costa, Luiz Gayotto, VJ Scan e 18 músicos no palco.“Além da questão rítmica propriamente dita e mesmo melódica, a forma coletiva do fazer e a vivência da religiosidade brasileira me influencia muito”, afirma Alfredo.

Perguntado sobre os melhores registros de música de culto aos orixás, ele prefere deixar no ar e cita o aspecto abrangente desta influência. “Gosto de vários artistas que gravaram e compuseram músicas de terreiro, inclusive muitos artistas da MPB tiveram e têm forte ligação com essa religiosidade”, completa.

Para o DJ Paulão, que tornou-se célebre tocando funk, música negra e grooves brasileiros, os sons afrorreligiosos “misturam uma onda de interesse do momento, pelos afrobeats e grooves afro, com um componente de raiz, de África e Brasil. Além disso, tem um balanço tribal, que chega aos limites do mantra”, situa.

Quando perguntado sobre suas três faixas preferidas nesta praia, ele cita Fui à Umbanda, de JB de Carvalho, A Gira, Trio Ternura, e De Pé, de Mão ou de Bico, de Marcia Maria. “Sou do candomblé, então essas faixas fazem parte do meu processo de busca, e elas marcam ondas de conhecimento do som afrobrasuca, como chamo. JB de Carvalho e um dos maiores senão o maior artista desse segmento, com muita coisa lançada, inclusive uma versão roots de A Gira. O Trio Ternura teve uma leve participação, não é um grupo que busca essas referências mas fez essa musica marcante; e a Marcia Maria vem com a força do samba baiano, estado onde a referencia afrobrasuca é talvez a mais forte”, aponta.

Em março, Paulão viaja pra Europa em turnê para celebrar o lançamento do meu primeiro disco, “Brazuca! Samba-rock and Groove in the Golden Years (1966-1978). Algumas cidades já confirmadas: Berlim, Dortmund, Maribor, Paris e Amsterdam. O DJ acaba de fechar com a Kindred Spirits de Amsterdam, mais uma compilaçao, só de sons afrobrasucas.

Alfredo também irá para Europa, onde costuma apresentar-se com frequência. Ele embarca este mês para tocar, ministrar palestras e mixar seu disco novo, gravado em vários países, com Mad Professor, em Londres. 

Por onde ele vai, a música dos orixás o acompanha. “Essa música é feita para ser dançada por pessoas e pelos guias e deuses. Como diria o filosófo alemão (Friedrich Nietzsche), ‘Só acredito num deus que dança’”.

Sem mais artigos