Cat Power

Cat Power | Créditos: Divulgação
Cat Power | Créditos: Divulgação
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Cat Power | Créditos: Divulgação
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É muito fácil gostar de Cat Power. Ela é uma deusa, sua voz é linda, seus discos são tristes e perfeitos. Mas gostar de Chan Marshall, seu verdadeiro nome, não é tão óbvio assim.

No Cine Joia, em São Paulo, na terça-feira (21), após ter passado por Recife e Rio de Janeiro com a turnê do álbum Sun, lançado do ano passado, as expectativas eram altas. A começar pela fila quilométrica para entrar. E quando Cat Power apareceu, pontualmente com uma hora e quinze de atraso, doidona, com olhos vidrados, mancando, tossindo e balbuciando palavras sem sentido, os que já conheciam sua faceta junky talvez tenham pensado: “Você é tão perfeita por que faz isso com você mesma?”.

O ponto é que ela é demasiadamente humana, não é perfeita. Parece sofrer por estar ali e tira forças não se sabe de onde para cantar bem e afinada, traçando uma ponte entre João Gilberto e Nina Simone. Beberica um chá e põe todo mundo no clima “down em mim”. 

Mas o que vocês esperavam, a Paula Fernandes? O que poderia soar como amadorismo, na verdade é o máximo de doação. Como se ela ficasse louca por todos nós e nos libertasse de uma vida medíocre e mecânica com suas melodias. Cat Power é uma resposta ao provérbio chinês que diz: “O pássaro não canta porque tem uma resposta, ele canta porque tem uma canção”.

Quem precisa de ídolos, deusas e musas artificiais, do reino da imaginação, do sonho? Sem fazer a diva depressão, ela senta no palco e autografa tudo que seus fãs entregam, alguns lhe dão presentes como anéis, colares que a cantora aceita com supresa.

De tempos em tempos, Cat Power vai até o canto do palco. Sua banda é ótima, toca blues e rocks, às vezes com pegada vintage e em outras com roupagem sintética. A formação tem uma menina na guitarra e outra na bateria, mais um tecladista e um baixista, que também dispara batidas e toca caixa e percussão. No fim do show, revela-se o que Cat Power ia tanto olhar. As rosas brancas que costuma distribuir para a plateia.

Como disse Leon Tolstoi: “Não existe grandeza, onde não há simplicidade, bondade e verdade”. Não há como gostar de Cat Power sem gostar de Chan Marshall. Seu maior poder é justamente sua fraqueza, sua humanidade. Quando voltamos para casa e para nossa vida cotidiana, somos todos um pouco Cat Power e podemos mergulhar nas nossas próprias sombras sem medo.

Veja Ruin no Cine Joia



Setlist dos shows da turnê Sun no Brasil

Sea of Love (cover de Phil Phillips)
The Greatest
Cherokee
Silent Machine 
Manhattan
Human Being
King Rides By
Angelitos Negros (cover de Pedro Infante)
Always On My Own 
3,6,9
Nothin But Time
I Don’t Blame You
Metal Heart
Oh! Sweet Nuthin´/ Shivers (cover de Rowland S. Howard, com versos de VU’s Oh!)
Do Ya (cover de Move)
Peace and Love 
Ruin

Doidona, Cat Power faz de fragilidade seu maior trunfo durante show em São Paulo

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