Na última edição da revista New Yorker, Patti Smith, artista americana, fez um belo obituário para seu amigo Lou Reed, morto no sábado, 27 de outubro. Ela lembrou de quando ambos se conheceram e do momento em que soube do falecimento do amigo.

“Eu não entedia o seu comportamento errático, nem a intensidade de seus humores, os quais mudavam, como o padrão de seu discurso, que ia da rapidez para o lacônico”, Patti escreve sobre quando conheceu Reed, nos anos 1970. “Mas eu entendia a sua devoção à poesia e a qualidade transportadora de suas performances. Ele tinha olhos negros, camisetas negras e pele pálida. Ele era curioso, às vezes desconfiado, um leitor voraz e um explorador sônico. Um pedal de guitarra obscuro para ele era uma espécie de poema”.

Ela contou que teve a impressão de que Reed estava doente da última vez que se viram, e que seus olhos continham uma “infinita e benevolente tristeza”. Ela também disse que quando recebeu a notícia da morte do amigo, estava em um praia.

“Enquanto eu lamentava em frente ao oceano, duas imagens vieram à minha mente, como uma marca d’água no céu colorido como uma folha. A primeira era a imagem de sua mulher, Laufrie. Ela era o espelho dele: nos olhos dela você podia ver a bondade, sinceridade e empatia dele. A segunda era do ‘grande veleiro’ que ele desejava navegar, da letra da sua obra prima Heroin. Eu a vi esperando por ele sob a constelação formada pela alma dos poetas a que eu acredito que ele irá se juntar”, ela descreve. “Antes de dormir, eu procurei pelo significado da data – 27 de outubro –  e descobri que foi nesse dia que nasceram Dylan Thomas e Sylvia Plath. Lou escolheu um dia perfeito para zarpar – dia dos poetas, em uma manhã de domingo, com o mundo atrás dele”.

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