Não é questão de respeitar o bigode grosso, a capilaridade de Giorgio Moroder, que apresentou-se n0o Skol Beats Factory, em São Paulo, na madrugada deste sábado (9), vai além de qualquer parâmetro. Ao introduzir os sintetizadores na disco, nos anos 70, o produtor ítalo-suíço encontrou o Santo Graal da música pop ao juntar a tradição experimental alemã com o poder da black music.

Se pensarmos que a música eletrônica influencia muito do que é feito hoje e que o pop continua buscando as referências que Moroder plantou, de Madonna a Katy Perry, então temos aqui um cara que não apenas se manteve influente como se eternizou por seus hits radiofônicos e pelas trilhas de filmes.

A primeira lição de Moroder é que não é preciso ter medo do brega. O cara pode, então, tocar todas as músicas mais aceleradas, em uma perigosa fronteira com a eurodance. 

Moroder não é um DJ, mas quem se importa? Ele que fez todas aquelas músicas de Donna Summer (I Feel LoveHeaven Knows, Hot Stuff), What a Feeling, de Flashdance. Na apresentação, ele mostra ainda uma inédita em que define 1974 como o novo 2024.

Como Miles Davis (1926-1991), que morreu tocando hip hop, após ter revolucionado a música com o cool jazz e com o fusion, Moroder não quer ser uma peça de museu. Por isso, ele toca uma versão de Fancy, da Iggy Azalea, princesinha do pop.

Para um rapaz de 74 anos, não está mal. “Meu nome é Giovani, mas todo mundo me chama de Giorgio”, diz o produtor, na faixa lançada no ano passado pelo Daft Punk, Giorgio by Moroder. Talvez nós devêssemos voltar a nome original e acrescentar o epíteto de São Giovani do I Feel Love. Esse santo nos ensina que o amor pode até ser brega, mas ele é milagrosamente humano e vital.

 

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