Vanessa da Mata tem um disco pronto, mas um convite para homenagear Tom Jobim fez com que ela parasse tudo e se debruçasse sobre a obra daquele que, para muitos, é o maior compositor brasileiro de todos os tempos. Mas que isso, no entanto, para ela sua música tem o poder de curar. 

“A música te leva para vários lugares. Existem momentos, por exemplo, que se você coloca determinada música, você fica completamente triste e não sabe por que. E o Tom é o contrário, te traz a energia, te traz o contato com o mundo que é saudável, que pratica o sim, que pratica a cura, que pratica felicidade”, elogia. “Você fica extremamente tocado por aquilo, a casa inteira fica deliciosa”, aponta a cantora e compositora que integrará o tributo Nivea Viva Tom Jobim, que passará por seis capitais brasileiras, com shows gratuitos: Salvador, Recife, Brasília, Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro. 

Em entrevista para a apresentação do projeto, nesta quarta-feira (27), em São Paulo, a cantora e compositora de Ai, Ai, Ai… e Boa Sorte/Good luck lembrou que chegou a Tom Jobim por meio das novelas. “Eu sou de uma cidade muito pequena no Mato Grosso (Alto Garças). Não tinha naquela época recursos nem loja, nem qualquer possibilidade para haver Tom. E através da televisão chegou Tom Jobim e desde então foi um presente maravilhoso”, disse Vanessa, ressaltando a veia popular do compositor, capaz de criar músicas complexas e simples ao mesmo tempo, capazes de conquistar todos os ouvintes. 

“Eu tenho influência direta de Tom Jobim no meu trabalho eu sei o que ele representa não só para mim, quanto para o mundo”, avalia ela, que reforçou o caráter internacional do ícone. “É um dos maiores mestres da música brasileira e que traduz muito o Brasil lá fora. Se você vai pro Japão, para Itália, nos lugares onde existe uma pretensão de ser chique, de ser bem representado, de ser uma tradução simples e poética, está tocando Tom Jobim.”

Ela lembrou também que já recorreu à música do maestro soberano para melhorar seu estado de espírito. “Diversas vezes eu ouvi Tom e saí como se tivesse chegado em uma paisagem linda, especificamente clara, no sentido de escolhas legais para vida, de pensamentos positivos, de sair de uma fossa, de sair de uma situação que não era tão boa e Tom tem isso, tem esse poder, num sentido bacana.” 

Viúva do músico, Ana Jobim lembrou que ele é o segundo compositor mais gravado no mundo, atrás apenas dos Beatles. “Ele dizia, os Beatles são quatro em inglês, eu sou um em português”, recorda. “Antes, tudo girava em torno dele e agora a gente que tem que assumir esta responsabilidade, com o devido respeito. Pela forma como ele viveu, pelo pensamento dele”, diz Ana. “O Tom é um fenômeno, cada vez que a gente viaja, sai, ele está sempre presente”, completa.

Nome superlativo da produção de eventos de jazz, música brasileira, dança e outros, Monique Gardenberg, curadora e diretora artística do projeto, adiantou que o arranjador e maestro Eumir Deodato participará dos shows. “Ele tanto foi parceiro do Tom, o Tom o cita em várias entrevistas, mas ele também hoje é parceiro da Bjork. Então ele vai permitir que a gente viaje no tempo da música, além de viajar no tempo do Tom. Isso vai ser bacana”, afirma. Deodato trabalhará nos arranjos de cordas, a direção musical é de Kassin, parceiro de Vanessa. 

De 140 músicas selecionadas inicialmente, restaram 25, em um processo que Vanessa aponta como doloroso. Para a curadora, a dificuldade deve-se ao fato de que todas as músicas de Tom Jobim sejam de “lado A”. O mote da homenagem são os 50 anos do lançamento primeiro disco solo dele, The Composer of Desafinado, Plays e também da gravação de Getz/Gilberto featuring Antonio Carlos Jobim, álbum que escancarou as portas para a bossa nova.

No ano passado, a Nivea homenageou Elis Regina, com shows de Maria Rita.

Sem mais artigos