Zélia Duncan lança o álbum "Pelespírito" em comemoração aos 40 anos de carreira /Denise Andrade

Zélia Duncan lança o álbum “Pelespírito” em comemoração aos 40 anos de carreira /Denise Andrade

Como forma de celebrar os 40 anos de carreira, Zélia Duncan lança o álbum “Pelespírito”, com 15 faixas inéditas. Em um dos momentos mais introspectivos em que estamos vivendo, Zélia sintetiza os sentimentos conflituosos do último ano e manteve a característica de isolamento na gravação do álbum, que foi feito de forma caseira por Duncan e os músicos.

Lançado no dia 25 de maio pela Universal Music, “Pelespírito” acolhe todos os sentimentos de quem está a mais de um ano vivendo em meio a uma pandemia. Sentimentos como dúvidas, solidão, angústia, estão presentes no álbum. Mas também há espaço para esperança, como Zélia canta na faixa “Vai Melhorar” “Vou melhorar/ Vem melhorar comigo/ Um dia vai ser bem melhor“.

Com 40 anos de carreira e 15 álbuns, Zélia Duncan traz um trabalho com diferentes referências que incluem country, blues e rock. Resultado que vem da vontade da artista de se arriscar “O frescor que tem a ver com amor pelo que eu faço, pelo meu ofício e a vontade de me arriscar e me desafiar, para manter esse frescor. Eu acho que eu sou muito mais aventureira hoje do que quando eu comecei”.

“Pelespírito” surgiu durante o último ano, em um momento em que as emoções se encontram à flora da pele. Sentimento que foi abordado no álbum e sintetizado na faixa-título, Duncan encontrou na arte uma forma de colocar tudo para fora e fazer com que as pessoas se sintam entendidas. “Quando ouço o ‘Pelespírito’ [faixa] confesso que eu me emociono. Essa voz eu gravei me sentindo muito do jeito que eu cantei. Sempre faço isso, mas é porque dessa vez estava tudo tão literal, sabe? […] Estamos com a pele retorcida e o espírito querendo voar um pouco, querendo se suavizar”, conta Zélia. “O álbum me salvou e eu espero que ele console um pouco as pessoas”, completa a artista.”

Além de ser um momentos desafiador emocionalmente, as gravações também foram feitas de uma outra maneira. Com trabalho gravado em casa pela primeira vez, Zélia, em São Paulo, compôs as faixas com Juliano Holanda, em Recife, de maneira remota, os artistas trocam mensagens sobre as composições. “Pelepírito” foi gravado entre os anos de 2020 e 2021 no home studio de cada músico, além de Duncan e Holanda, Léo Brandão gravou em Curitiba, Christiaan Oyens em Londres e Ézio Filho no Rio de Janeiro. A cantora afirma que uma das partes mais desafiadoras foi gravar a própria voz. “Eu falei para os meninos, olha é um perigo porque eu aprendi a gravar, e agora eu estou adorando gravar vocal, tudo de brincadeira”.

A cultura como forma de expressão e força

Zélia ainda destacou o papel da arte e da cultura como consolo em meio a momentos atípicos. “A cultura assumiu um papel nessa pandemia que, na verdade, é o papel dela. De nos consolar, de nos fazer pensar, de nos unir. Sempre foi o papel da cultura, só que, de repente, quando você enxuga tudo, bota uma lente desse tamanho na tua vida, onde você não pode ou não deve sair. Como que você vai fazer pra aguentar você mesmo, tanto tempo sozinho? Aí, você vê o que que realmente estende a mão pra você. Eu digo que ironia isso exatamente no momento onde a cultura é completamente desprestigiada.

Além do papel de se comunicar com o próximo, Zélia utiliza da música para falar de assuntos sociais e ampliar o debate. Como na faixa “Você Rainha”, em que a artista fala sobre violência feminina e doméstica de uma forma  a buscar reafirmar a capacidade feminina. “O que essa música diz no final das contas é que você é uma rainha. Por mais que te coloquem para baixo, você é a rainha da sua vida, você tem que tomar as rédeas como der e saber que você não está só, que é preciso pedir ajuda quando possível. Crescemos ouvindo que em briga de marido e mulher não se mete, até isso estava errado.

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