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Após o incidente envolvendo o Ultraje a Rigor na abertura do show dos Rolling Stones, no fim de semana, quando o vocalista Roger Moreira afirmou ter sido tratado como lixo pelo gerente de palco da banda, nesta segunda (22), o caso ganhou mais um capítulo. Carlos Gerbase, ex-baterista da banda Os Replicantes, escreveu um textão dizendo que a banda gaúcha foi maltratada e pelo próprio Ultraje.

O músico relata ter sido impedido de tocar na bateria da banda: “Pena que nunca abrimos para os Rolling Stones. Pena que nunca toquei na Gretsch do Charlie Watts. Mas ainda bem que nunca sentei na bateria do Ultraje a Rigor. Ela não merecia a minha bunda”, afirma. Leia a íntegra do desabafo.

A gente somos lixo?

O Roger, do Ultraje a Rigor, está reclamando que a sua banda foi maltratada pela equipe dos Rolling Stones, para quem abriram o show no Rio de Janeiro. Ele escreveu em seu Twitter: “Nós somos lixo para eles”. Não sei em que condições contratuais o Ultraje fez seu show, não sei se receberam um bom cachê e não posso opinar sobre o tratamento que a banda recebeu, já que eu não estava lá. Mas posso contar uma pequena história sobre a abertura que a banda Os Replicantes fez para o primeiro show do Ultraje a Rigor em Porto Alegre, lá pelos idos de 1986.

Nós (Os Replicantes de então: Wander Wildner, Heron Heinz, Cláudio Heinz e Carlos Gerbase) éramos amigos dos produtores que trariam o Ultraje para tocar no Auditório Araújo Vianna e fomos convidados para fazer a abertura, sem receber cachê, simplesmente pela oportunidade de tocar num lugar bacana, para um grande público (“Inútil”, do Ultraje, estava rodando bastante nas rádios, e isso garantia o sucesso do espetáculo). Topamos. Na hora de combinar como seria a infra do palco, a produção disse que poderíamos usar os mesmos amplificadores e a mesma bateria do Ultraje.

O baterista Carlos Gerbase

Reprodução/Facebook O baterista Carlos Gerbase

Minha bateria, na época, era uma Pinguim pequena e de segunda mão, de quem guardo excelentes recordações, mas que não tinha condições de fazer um show profissional para 5 mil pessoas: pedal de bumbo quase estragado, peles quase furando, estantes de pratos quase caindo e pratos (nacionais) já rachados. Como os pratos e a caixa são equipamentos muito pessoais e sujeitos a avarias, combinamos que, apesar de tudo, eu usaria os meus. Punk rock não tem frescura.

De tarde, fomos passar o som. Tudo normal. Sentei na bateria colocada num praticável e comecei a arrumar meus pratos e a caixa, quando alguém me disse que eu não poderia usar aquela bateria, pois o Ultraje não queria emprestar. Tinham ficado sabendo que eu tinha a mania de detonar e derrubar o instrumento no final do show. Mito. A minha pobre bateria é que caía sozinha às vezes. Expliquei para a produção e para os caras do Ultraje que eu tomaria o máximo cuidado, mas não houve acordo.

Faltava menos de uma hora para o show. Não dava tempo para alugar outra bateria. A solução foi pegar meu carro e trazer minha Pinguim velha de guerra, que foi montada na frente do praticável da bateria do Ultraje. Nem o praticável eu pude usar! Lembro do contraste entre a Pinguinzinha, no chão, e aquela bateria enorme e importada sobre o seu praticável. Que merda! Eu me sentia como lixo… Que bom!

Entramos no palco e quebramos tudo (esteticamente falando). Foi um dos shows mais bacanas da história da banda, com direito a muito pogo no fosso do Araújo (que saudade do fosso!). E a Pinguinzinha ali, com seus pratos rachados, suas estantes periclitantes, seu pedal de bumbo arrumado com arame, resistindo bravamente. Tocamos uns quarenta minutos, conforme o combinado, e saímos do palco suados, felizes e com a sensação de termos feito história. Recolhi a Pinguim, botei no porta-malas do meu Chevette (sim, ela cabia inteira no porta-malas) e voltei pra ver o show do Ultraje.

Fazendo sua primeira piada (ou “homenagem”) da noite, os quatro músicos do Ultraje entraram no palco pilchados, isto é, de bombacha e com uns lenços ridículos na cintura. Levaram uma das maiores vaias da história do Araújo. O rock é, antes de qualquer coisa, uma música que derruba convenções e estimula a liberdade, e os caras vêm fantasiados de “gaúchos”. É dose. Comecei a ver o show, aguentei uns vinte minutos e, percebendo o populismo da banda (o tempo todo querendo “agradar” ao público) fui embora.

Essa é a história. Pena que nunca abrimos para os Rolling Stones. Pena que nunca toquei na Gretsch do Charlie Watts. Mas ainda bem que nunca sentei na bateria do Ultraje a Rigor. Ela não merecia a minha bunda.

Bizarrices feitas por músicos no palco \o/

Outro que entrou nessa guerra da bizarrices, foi Ozzy Osbourne, que pasmem, arrancou a cabeça de um morcego vivo com a boca! Mano do céu!!!
Wendy o Willians, a ex-vocalista do Plasmatics, levava o púbico masculino (e feminino também) à loucura quando se masturbava no palco. Sério!
Keith Moon, do The Who, foi além e explodiu (com bombas mesmo) sua bateria em um show nos anos setenta. Resultado: causou danos à audição do guitarrista Pete Townshend. Legal ele, hein!
G.G. Allin, o vocalista punk mais loko que conhecemos, foi preso 52 vezes durante suas performances no palco. Em um dos shows ele simplesmente fez cocô no palco, pegou e jogou nos fãs da primeira fila. Quem aí queria estar nesse show?
G.G. Allin, ele de novo. Em um show tentou fazer sexo com um gato morto. Nada bacana!
Oh, não, G.G. Allin mais uma vez. Nos anos oitenta ele
Esse é louco de pedra. Mike Patton, do Faith No More, certa vez em um show de sua outra banda, o Tomahawk, sacou seu pênis pra fora e fez xixi na cabeça de um segurança. Porém, tudo foi revelado que o membro era de borracha. Brincadeirinha, né?
Na Bangerz Tour, Miley Cyrus mostrou sua obsessão pelo membro sexual masculino. No palco ela usa máscara de pênis, monta em pênis gigantes e faz gestos obscenos com eles. Tudo pela arte, né!
Mas quem vence no quesito pênis no palco são os alemães do Rammstein. Nos shows, o vocalista  Till Lindemman sobe num pênis gigante e ejacula na galera, que vai ao delírio!
Em 1969, dizem que Alice Cooper matou uma galinha no palco. Acidentalmente.
Em 2001, um ritual começou nos shows dos brazucas Dead Fish: a banda cuspia na plateia e a plateia cuspia na banda, e todos saiam molhados e felizes.
Justin Bieber gosta de causar, né! Durante show em Buenos Aires, o astro pop VARREU a bandeira da Argentina do palco. Isso sim é bizarro!
Quem se lembra do show do Blodhound Gang em São Paulo no início dos anos 2000? Em certo momento, o grupo chamou um fã ao palco e deu 100 dólares para ele tomar uma caixa de Coca-Cola inteira. O rapaz bebeu 21 latas, mas não conseguiu o trocado.

Ex-baterista de banda gaúcha diz que foi maltratado por Ultraje a Rigor

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