SR GONZALES - Foto- Paula Carrubba-(media)

(Foto: Paula Carrubba/ divulgação)

Quem é que não tem saudade da Era do Rádio? De músicas de Carlos Galhardo, Orlando Dias, Francisco Alves, Nelson Gonçalves, Elis Regina, Maria Bethânia, entre outros grandes artistas brasileiros? Pensando nisso, André Gonzales, ex-vocalista do grupo Móveis Coloniais de Acajú, criou a banda Sr. Gonzales Serenata Orquestra justamente para homenagear aquela época de ouro da música brasileira que marcou a vida de tanta gente.

Focado em um show para pessoas idosas, mas onde os mais novos – de qualquer idade – também são super bem vindos, a Sr. Gonzales Serenata Orquestra se apresenta nesta quarta-feira, 28, às 21h30, no Sesc Pompeia, em São Paulo, onde apresentará versões de grandes clássicos daquele tempo. Em conversa com o Virgula, André explica melhor o projeto: A oportunidade dessa proposta é lançar um olhar para os mais velhos que seja agregador, que acolha e que dê um lugar a eles”. 

A vontade de fazer um concerto para os mais velhos nasceu da convivência com eles, conta André: “Fiz aula de  hidroginástica por um tempo e minhas avós são grandes fontes inspiradoras. Me encanto por essa idade. Um dia fui a uma seresta tradicional aqui de Brasília, no Clube dos Previdenciários, e estava dado ali o meu novo desafio: um baile dançante para os mais velhos”. Ele completa: “Também é uma oportunidade de me desafiar como intérprete e envolver as pessoas de outra maneira”.

Para dar o clima retrô às versões, André recrutou um músico de peso: Gustavo Dreher, que participou do álbum clássico A Sétima Efervescência, de Júpiter Maçã. “A produção das bases orquestrada pelo mestre Gustavo Dreher deu à sonoridade uma pegada ainda mais analógica, cheia de sintetizadores e efeitos orgânicos. Sua experiência com Folley, a arte de copiar o som das coisas para produção de efeitos sonoros, nos trouxe a reprodução de Rádio Novelas e daí a oportunidade de resgatar trabalhos como o de Francisco Alves, por exemplo”, diz o André, que tem em sua companhia os também ex-Móveis Coloniais de Acajú Esdras Nogueira e Fernando Jatobá. Outro colega da antiga banda, Beto Mejiá, também participará da apresentação.

Porém, os concertos do Móveis Coloniais de Acajú eram conhecidos pela energia de não deixar ninguém parado, sendo um público formado em grande maioria por jovens. Perguntamos: e agora, como é se apresentar para idosos? Para o cantor não há diferença e responde com exemplos: “O Móveis me deu essa experiência com o público, essa vontade de estar próximo, de interação. Quando me deparei com a vitalidade das senhoras e senhores no salão das Serestas que comecei a frequentar, entendi que não havia muita diferença. Tem um casal que frequenta nosso baile que passa a tarde inteira, quase 4 horas dançando sem parar, isso inspira qualquer idade. Por isso funciona para qualquer um. Em Brasília o salão fica repleto de crianças, por exemplo, os pais levam os avós que revezam entre o salão e as crianças”.

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(Foto: Paula Carrubba) André Gonzales

Hoje, aos 35 anos, André conta que interpretar canções antigas, lançadas décadas antes dele nascer, não o faz se sentir ‘velho’: “Não existe idade para nada. Na verdade, esse é o centro desse projeto: todos nós envelhecemos, sendo criança, adulto ou idoso, a cada instante somos um pouco mais velhos, e em algum momento partimos. Nos confortar com o que somos e ganhar liberdade para ocupar um salão e dançar com liberdade e vontade de estar vivo é o que importa”. 

O cantor ainda revela que um álbum de músicas inéditas, mantendo o contexto de época, está por vir . “Agora no primeiro semestre vamos lançar um álbum com versões que apresentamos no show e para o próximo semestre vamos começar a trabalhar nesse produto de inéditas”, diz ele, antes de finalizar bonito: “A sociedade ignora o envelhecimento e a morte, mas quando as encaramos ganhamos a liberdade que os pares têm de bailar sem hora pra acabar”. 

Bora pro baile!

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(Foto: reprodução/Facebook)

SERVIÇO:

Sr. Gonzales Serenata Orquestra

Quando: Dia 28 de fevereiro de 2018, quarta-feira, às 21h30
Onde: Comedoria do Sesc Pompeia, São Paulo – Rua Clélia, 93
Ingressos: R$6 (credencial plena/trabalhador no comércio e serviços matriculado no Sesc e dependentes), R$10 (pessoas com +60 anos, estudantes e professores da rede pública de ensino) e R$20 (inteira).

Venda online a partir de 20 de fevereiro, terça-feira, às 17h30.
Venda presencial nas unidades do Sesc SP a partir de 21 de fevereiro, quarta-feira, às 17h30.
Classificação indicativa: Não recomendado para menores de 18 anos.

*A capacidade do espaço é de 800 pessoas. Assentos limitados: 150. A compra do ingresso não garante a reserva de assentos. Abertura da casa com 90 minutos de antecedência ao início do show.

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