Crise econômica na Europa, mercado interno forte, passagens aéreas em alta, interesse maior pela música da América Latina e da África, diversidade da música brasileira – que não permite uma fácil identificação. Esses foram alguns fatores levantados pelos debatedores da mesa Exportando a Música Brasileira, na sexta-feira (06), durante a Semana Internacional de Música, em São Paulo, que mostraram que o desafio de alcançar uma carreira internacional tornou-se árduo. 

Os participantes da mesa, David Mc Loughlin (BM&A/Brasil Music Exchange), André Bourgeois (Urban Jungle), Bruno Boulay (Bureau Export/Consulado Francês), Felippe Llerena (ventureBR), Diana Glusberg (Niceto Club, AR) e a mediadora Melina Hickson (Porto Musical, PE), pintaram um cenário de retração em relação ao encontrado, por exemplo, durante o Ano do Brasil na França, em 2005. Ainda assim, todos mostraram otimismo, como se confirmassem o jogo do investidor de comprar na baixa.

“Muito artistas que fazem sucesso no Brasil, quando chega no mercado internacional tem que começar do zero. Hoje é uma situação de crise, diferente de 2005”, afirma Melina, que é produtora executiva de Siba e a Fuloresta.

Já Llerena lembrou que, em 95, quando participou do lançamento de Daúde no mercado internacional, os brasileiros que participavam das grandes feiras de música, como o Midem (Marché International du Disque et de l’Edition Musicale) atuavam praticamente como um “camelô”, sem nenhuma referências em estandes e sem representação oficial do governo. 

Boulay, peça chave justamente do Ano do Brasil na França, defendeu as parcerias público-privadas como forma de tangenciar a crise econômica que afetou o mundo em 2008 e da qual a Europa ainda tenta se reeguer. Para ele “nunca foi tão importante investir na exportação”. “Há 20 anos, já era importante, mas a gente estava no físico. Hoje, o mercado é digital, mundial, ele atinge o mundo em questão de minutos”, afirmou. 

Bourgeois, produtor de Céu, que explodiu primeiro nos Estados Unidos e depois na Europa, já indicando uma nova configuração do mercado, defendeu também um modelo de produção de 360 graus. “É a mesma lógica que aplicamos aqui, precisa ter assessoria de imprensa, tocar em rádio. Mas a 12 horas de avião”, defendeu ele, que também cuida de outros pesos pesados da MPB indie, como Lucas Santtana, Céu, Curumin e Otto. “Como você cria uma base de fãs? Você precisa montar uma rede de profissionais, como agente, divulgador”, apontou. “No trabalho que eu faço a primeira pergunta é, tem mercado para gente? E a segunda é, se não tem, a gente consegue criar um mercado?”, levantou.  

Já Mc Loughlin mostrou-se o mais otimista e defendeu que o cenário está longe ser uma catástrofe. Ele citou que participação do Brasil nas feiras de músicas aumentaram. O irlandês radicado no Brasil afirmou também que dez músicos e projetos brasileiros aparecem no top cem do ranking de world music na Inglaterra.

Com música e seminários, a proposta da SIM foi trazer ao Brasil o formato do MaMA de Paris, além de referências de conferências internacionais de música como o South By Southwest (EUA) e The Great Escape (Reino Unido). Que tenha vida longa e ajude o mercado a se conhecer e se fortalecer.

 

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