Givly Simons

Givly Simons

De piada a aposta da Deck, gravadora de Pitty, Gang do Eletro e Wado, o duo alagoano Figueroas, formado pelo vocalista Givly Simons e pelo tecladista Dinho Zampier chamou uma nova atenção para a lambada, espécie de parente do forró que fez sucesso estratosférico nos anos 1980.

Givly, em entrevista ao Virgula, avalia que a lambada está on fire. “”Mais que quente! De uns anos pra cá está bem fortalecida e difundida mundo afora. Além dos mestres da guitarra paraense que continuam na ativa (João Gonçalves, Aldo Sena, Vieira, Curica, Solano, entre outros), ouço, gosto e indico Pio Lobato, Felix Robatto, Felipe Cordeiro, Lia Sophia. E, também, a galera do tecnobrega, do tecnomelody”, elenca o cidadão, que é puro carisma.

Como ele explicaria o fato de que de tempos em tempos a classe média se interessa pelo forró e pela lambada? Qual seria o motivo dessa atração? “É a procura por ritmos dançantes e originais, genuínos. O forró e a lambada são ritmos consolidados, que de tempos em tempos são revisitados por novos músicos. Hoje em dia , por exemplo, especificamente existe um “hype” positivíssimo em torno do ritmo cúmbia, principalmente das cúmbias psicodélicas, está bem em alta no mundo inteiro, com diversos novos e excelentes grupos. Acho que todas as classes sociais acabam sendo atingidas, porém com maior interesse dos mais jovens”, argumenta o músico.

A gente pediu para que eles escolhesse as pedras fundamentais da lambada, caso precisasse apresentá-la para alguém que acabou de chegar de um planeta distante. “Sem dúvidas, Lambada Complicada, do Aldo Sena, Ela é Americana, do Solano e seu Conjunto, Onde Andará Você, do Alypio Martins, Lambada do Cachorrão, do Mestre Vieira e Melô Do Planeta, da banda Lambaly (com o guitarrista-mestre Oséas).”

Apesar de beber na tradição, Givly aponta diferenças entre o Figueroas e os pais fundares. “Nosso som é completamente inspirado pelos mestres guitarreiros, somos aprendizes e fãs deste pessoal. Acho que a principal diferença que a banda tem é a grande presença de órgão e sintetizadores orgânicos, misturados a guitarrada”, compara.

Mas eles também dialoga com o universo rock, tanto que o duo teve disco lançado pelo mítico selo capixaba Läjä Records. “Temos uma relação maravilhosa, pois gosto muito, acompanho e ouço constantemente rock. Temos muitos amigos no meio e nos identificamos bastante. Acho que nos aproximamos pelo “faça você mesmo”, as atitudes, a paixão pelo rock and roll e até mesmo um pouco do vestuário. Todos nós somos roqueiros”, resume. Longa vida à lambada psicodélica do Figueroas.

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