“Nossa, eu achei animal!”. A frase de Roberto Rodrigues, 20 anos, é mais do que suficiente para mostrar o que o Iron Maiden fez com as 45 mil pessoas (inclusive crianças) que enfrentaram filas e pagaram uma grana boa para assistir ao show da banda no Pacaembu, no último sábado (17). Roberto, que nunca havia visto a apresentação de um grupo internacional, não poderia debutar melhor. Ficou na pista, bem próximo a Bruce Dickinson e seus companheiros.

Olha só, você já deve saber que os caras tocaram 16 músicas, entre elas algumas faixas clássicas como “Number of The Beast” e outras mais novas como “Wildest Dreams”. Também já deve estar por dentro que a banda havia realizado uma apresentação no Rio de Janeiro no dia anterior. E que promete que ainda virá ao Brasil outras vezes. Então vamos às novidades.

No palco, o Iron Maiden mostrou a que veio e levou a galera ao delírio, desde o início: “Eu até chorei quando o show começou”, diz Juliana Sanchez, 23 anos.

Com fantasias diversas e efeitos especiais de causar inveja em algumas produções cinematográficas, o Iron chegou ao Brasil equipado com seus melhores recursos, utilizados no braço europeu da turnê Dance of Death. “Eu achei a decoração do palco muito boa. Exemplo foi a música “Paschendale”, em que o Bruce estava vestido de soldado. A iluminaçao fez parecer um céu de guerra, com bateria anti-aérea, explosões… Animal, animal mesmo!”, afirma Rodrigo Alves Lara, 20 anos, que ficou encantado com a iluminação do show.

Vamos falar do vocalista. “O Bruce Dickinson é muito bom. Aquele homem é demais!”, é a opinião de Juliana Sanchez. Como sempre, o cara mostrou um vigor físico de primeira e não desapontou ninguém. No início do show, estava rolando um empurra-empurra generalizado na pista: “Era fanatismo mesmo, o pessoal se aglomerando perto do alambrado”, relata Roberto Rodrigues. Aí, titio Bruce resolveu dar um jeito na situação.Pediu pra platéia sossegar, pois não queria “ver ninguém num cemitério”. Depois disso, os empurrões diminuíram.”O Bruce Dickinson foi muito simpático. Pediu pra galera parar de empurrar, e falou bem dos brasileiros. Uma hora, ele parou e ficou olhando para o público, com o polegar no queixo e o indicador no nariz. Ele tava abismado com a galera”, completa Roberto.

E sobrou até para o Metallica. Bruce Dickinson disse que o Iron Maiden nunca cancelaria uma turnê no Brasil, uma provocação a James Hetfield e companhia limitada, que cancelaram os seus shows por aqui no final do ano passado.

O que parece que não agradou muito foi a escolha do Shaman para abrir a noite. A banda só conseguiu animar o público, em 45 minutos de show, quando levou “No More Tears”, de Ozzy Osbourne. “A galera parece que não gostou muito do Shaman, ficavam zuando. Eu não conheço muito a banda, nem curto muito. Mas eles são brasileiros, e acho que o público tinha que valorizar mais. Os caras tinham que honrar o Brasil”, acha Roberto.

Outra coisa que acabou chateando um pouco foi a infra-estrutura. Muita gente saiu reclamando do comprimento do palco e da qualidade do som: “O palco poderia ser mais alto, os telões poderiam estar mais no alto também. Eu consegui ver pouco, e acho que um palco mais alto poderia melhorar isso”, diz Rodrigo. “O palco era ruim. Quem estava dos lados, não conseguia ver direito. Poderia ser mais largo. E o telão estava um pouco escuro”, concorda Juliana, e acrescenta: “O som estava péssimo. Eu não conseguia entender muito bem nem o que os caras do Shaman estavam falando em português.

Bom, mas nem esses ‘probleminhas’ foram suficientes para estragar a noite. E você ainda quer saber o que o Iron Maiden realmente faz com essas pessoas? Rodrigo Lara dá uma idéia: “Mesmo sem ver quase nada, sendo esmagado, eu curti muito. É uma coisa única. Eles passam bastante energia e realmente foi do jeito que eu esperava!”.

Opine: o Iron Maiden fez bem em provocar o Metallica?

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