Aos 69 anos de idade e tocando pela primeira vez no Brasil, o escocês Jack Bruce foi apresentado, ao subir no palco do Teatro Bradesco, em São Paulo, na noite desta quarta (24), como o maior baixista de rock’n’roll do mundo.

A introdução foi feita pelo guitarrista brasileiro André Cristovam, ícone do blues nacional, e serviu de gancho para que Bruce fosse ovacionado antes mesmo de tocar a primeira nota, pelos fãs que lotaram os 800 assentos do teatro.

O título não é à toa. Afinal, Jack Bruce foi baixista de um dos mais respeitados e cultuados power trios da história do rock, o Cream. Ao lado de Eric Clapton na guitarra e Ginger Baker na bateria, Bruce, que também cantava a maioria das músicas, inscreveu o nome Cream na história do rock com quatro álbuns poderosos, no curtíssimo período (de 1966 a 1969) de duração da banda.

Sorridente e vestindo uma jaqueta de couro marrom, Bruce começou a apresentação com o standard de blues First Time I Met The Blues, muito bem acompanhado de seu baixo Warwick fretless (sem trastes) e de sua Big Blues Band, formada por guitarra (Tony Remy), bateria (Frank Tontoh), piano (Paddy Milner), baixo (Nick Cohen) e um trio de metais (Winston Rollins, Derek Nash e Paul Newton).

A terceira música, Politician, do disco Wheels of Fire, do Cream, mostrou que a voz de Bruce continua inteirona. Aparentando estar disposto e bem de saúde, apesar dos anos de vida louca que lhe custaram um transplante de fígado em 2003, Bruce parecia se divertir com os gritos de “é foda” e “gostoso” que vinham da plateia.

Jack Bruce não desapontou quem estava ali para ver um show do Cream (como esta que vos escreve). Standards de blues também não faltaram, como a aula Born Under A Bad Sign, clássico de 1967 de Albert King. Do seu primeiro álbum solo, Songs for a Taylor, Bruce sentou-se ao piano para tocar Theme for An Imaginary Western.

Do Cream ainda viriam Spoonful, We’re Going Wrong (num arranjo mais lento, que ele anunciou como “típico de Glasgow”) e Deserted Cities of The Heart, segundo ele, uma de suas composições preferidas. Até que veio o hit White Room, e a ordem do teatro foi pro espaço. A música uniu tiozinhos e moleques em pé, dançando e balançando a cabeça na frente do palco, até que os homens de preto do teatro tratassem de devolver a ordem e fazer todo mundo voltar pros seus assentos. Uma regra bem pouco rock’n’roll, diga-se.

Enquanto uns queriam ficar de pé e outros driblavam a falta de um bar com seus cantis particulares de whisky, eis que surgiram os primeiros acordes da arrasadora Sunshine of Your Love – afinal, todo mundo estava ali pra escutar essa música. De novo, gente brotou na frente do palco, cantando a letra toda do clássico-mor do Cream (e da molecada que joga Guitar Hero) a plenos pulmões até que, mais uma vez, os homens de preto vieram cortar a onda dos air guitarristas que, a essa altura, já tomavam conta também das laterais do teatro.

Com o público nas mãos e mostrando estar mesmo feliz ali naquele palco, Jack Bruce agradeceu com vários “obrigados” à presença de todos e nesta sexta-feira (25) deve fazer outra leva de fãs brasileiros felizes, desta vez no Teatro do Bourbon Country, em Porto Alegre. Todo moleque ou menina que queira seguir carreira no rock’n’roll devia ter como aula obrigatória assistir a um show do Jack Bruce.

Sem mais artigos