Kanye West

Kanye West na capa da Rolling Stone

Kanye West não é um rapper qualquer. Apesar de ser um dos maiores nomes do hip-hop atualmente e de carregar quase todos os estereótipos do estilo, o americano é conhecido por sempre tentar levar sua música a diferentes extremos, com resultados variáveis. E foi justamente com essa personalidade megalomaníaca que ele desembarcou no Palco Consciência do SWU Music & Arts Festival neste sábado (12).

O americano chegou ao Brasil no embalo da turnê de Watch The Throne, disco lançado em parceria com Jay-Z (que por sua vez, cancelou sua apresentação no Rock in Rio, em outubro). Mas apesar das citações à parceria, boa parte do repertório saiu do elogiado My Dark Twisted Fantasy, o quinto álbum do rapper e produtor, lançado no ano passado. 

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Visualmente, o show impressiona. Vinte bailarinas subiram ao palco durante H.A.M., faixa de Watch The Throne usada como introdução, que abriu as portas para a sequência Dark Fantasy e Power – cantada em uníssono pelo público, a essa altura, ainda encantado com West.

Ansiosa pelo Black Eyed Peas e embalada por Snoop Dogg, a plateia queria hits. Kanye conseguiu entreter os presentes até Good Life, que sampleia P.Y.T., de Michael Jackson, mas a trinca Love Lockdown, Say You Will e Heartless, todas de 808’s & Heartbreak (2008), esfriou os ânimos. Carregadas no auto-tune e com batidas lentas e menos impactantes, as faixas dispersaram parte da plateia, que a essa altura começava a se dirigir para o palco oposto.

Na hora certa, Kanye tentou virar o jogo, e por uns instantes parecia ter conseguido. Touch The Sky fez o público acordar, e Gold Digger causou o primeiro frisson da noite. Logo após o primeiro refrão, o rapper pediu ao DJ que o acompanhava que parasse a música.

“Vocês sabem que ainda estou longe de terminar, né? Então quero todos indo à loucura agora!”, pediu. Com a boa resposta do público, Kanye recomeçou a música, desta vez pulando, correndo de um lado para outro – alegria que contagiou o público.

Em All of The Lights, outro sucesso de seu último álbum, ele fez o mesmo. Parou a música, e fez um pedido: “Ei, eu quero que todos vocês lembrem deste momento pelo resto de suas vidas. Pulem! Pulem!”. A energia ao redor do palco, com os belos arranjos de iluminação, proporcionaram o momento mais bonito da apresentação, que ainda contou com a participação de Fergie, do Black Eyed Peas, reproduzindo ao vivo o verso que gravou na versão de estúdio da faixa.

Com Stronger, o maior sucesso de West, o jogo parecia ganho. Com samples de Daft Punk, a música embalou outro momento de cantoria, e o saldo parecia positivo para West. Parecia. A sequência final, com as arrastadas e excessivamente longas versões de Runaway e Lost In The World fez a plateia praticamente fugir do Palco Consciência, e desabafos como “que saco!” ou “acaba logo”, eram facilmente ouvidos.

Kanye West tinha potencial de fazer um show inesquecível, e se consolidar no Brasil como um dos maiores nomes do hip-hop. Não que ele não seja, mas se quiser conquistar os brasileiros, terá que tentar mais uma vez.

 Setlist:

01 – H.A.M. (Intro)
02 – Dark Fantasy
03 – Power
04 – Jesus Walks
05 – Can’t Tell Me Nothing
06 – Hell of a Life
07 – Monster
08 – Flashing Lights
09 – P.Y.T. (Michael Jackson) / Good Life
10 – Love Lockdown
11 – Say You Will
12 – Heartless
13 – Run This Town (Jay-Z) / We Will Rock You (Queen) / E.T. (Katy Perry)
14 – Homecoming
15 – Through The Wire
16 – All Falls Down
17 – Touch The Sky
18 – Gold Digger
19 – All of The Lights
20 – Stronger
21 – Chariots of Fire / Runaway
22 – Lost In The World
23 – Hey Mama

Kanye West faz espetáculo, mas não conquista público do SWU

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