Nesta quarta (23), foi lançado oficialmente no Brasil o álbum Prism, terceiro da carreira de Katy Perry. Depois do sucesso estrondoso de Teenage Dream ela está de volta, mas sem vontade de repetir a fórmula que lhe rendeu sete singles de um único trabalho no topo da parada da Billboard – feito antes alcançado apenas por Michael Jackson. Em trailers promocionais da internet, que agitaram os fãs nos meses anteriores ao lançamento do álbum, ela enterrou objetos símbolos da fase California Gurls e queimou a famosa peruca azul que usa no clipe do hit. A norte-americana entregou ao público um álbum variado e cheio de potencial. O nome, Prism, foi sugerido pelo atual namorado da cantora, John Mayer, e representa justamente isso: as diferentes facetas da artista, que pretende mostrar que há mais em seu repertório do que músicas dançantes e açucaradas.

Roar é um sucesso indiscutível, e tem motivo. A música é mais uma prova do talento que Katy Perry tem fabricar hit que grudarão na sua cabeça – quer você queira, quer não. Se não for o refrão poderoso que você não consegue parar de cantar (e desafinar na hora de gritar o Roar), vai ser com o toquinho de piano que rege os outros versos. A letra da música tem um tom de superação (ou auto-ajuda, você quem escolhe), não exatamente uma novidade no livro de composições de Katy (baby, você é um fogo de artifício, lembre-se). De qualquer maneira, Roar é uma daquelas canções que você canta usando todo o ar disponível nos pulmões (e acaba desafinando horrivelmente).

Para ouvir Legendary Lovers, acenda um incenso e entre no clima. Não se esqueça que, afinal de contas, esse é o álbum de uma mulher que se casou na Índia, em uma cerimônia hindu. Já no comecinho, você ouve o som de um sitar (instrumento indiano típico) e começa a ouvir sobre flores de lotus, aura, karma e mantra. Se a faixa for escolhida como single em algum momento, vai ser interessante ver as performances que Katy Perry realizará. Pode apostar em um visual esotérico, mais ou menos como o que Selena Gomez vem apresentando com o single Come & Get It – com a diferença de que esta música não tem nenhum nexo com o estilo, ao contrário da faixa de Prism.

Com ares oitentistas, Birthday promete que fará com que você sinta que todos os dias são seu aniversário. Alternando entre falsetes e sussuros, a música é boa, cumpre o seu papel e tem potencial para se tornar um hit se escolhida como single. Mas há faixas melhores no álbum, e para constatar isso é só você passar para a próxima música de Prism.

Enquanto Birthday tinha apenas toques oitentistas, Walking On Air não destoaria de uma playlist para homenagear a década do dance, bem ao lado de Gloria Gaynor e Cindy Lauper. A música já havia sido divulgada antes da estreia do álbum, como single promocional de uma perceria que Katy Perry fez com a MTV e a Pepsi, então é improvável que ela escolha a faixa como single próprio. Mas tomara que isso não impeça que ela seja colocada nas playlists de todas as festas por aí. Walking on Air é a mais animada do disco – e contém todos os ingredientes para cair nas graças do público.

Unconditionally foi a música escolhida como segundo single de Prism. Ela é um hino ao amor – daquele tipo “incondicional” mesmo. Katy Perry usa todo a sua potência vocal na canção – obviamente inspirada em seu relacionamento com John Mayer. Mas ela já declarou que não se trata apenas disso. Em entrevista para o site da revista Entertainment Week, ela disse que a canção também foi inspirada em uma viagem sua pela África. “Eu fui para Madagascar e fiz uma viagem pela UNICEF que mudou minha vida e me deu essa música. É simplesmente uma mensagem sobre amar alguém e aceitá-lo, e meio que te leva para o lado que você não deve ser inseguro, você não deve ter medo; pois essencialmente, todo mundo tem algo, ninguém vem ‘limpo’, todo mundo tem seus problemas e você nunca vai ser perfeito; e aceitar e entender isso (especialmente em relacionamentos) preparar um terreno para um amor real e genuíno”.

Outra música que foi lançada como single promocional da parceria Perry&MTV&Pepsi foi Dark Horse, liberada antes de Walking On Air. É a única do álbum que contem uma participação. O rapper Juyce J se junta a Katy em uma música com atmosfera mais pesada do que os ouvintes estão acostumados a receber dela.

This Is How We Do joga Prism para os anos 1990. Com toques de hip hop e sintetizadores e uma voz masculina repetindo “this is how we do”, Katy Perry canta uma rotina parecida com a que os rappers de seu país costumam exibir, ainda que de uma forma mais leve, sem tanta ostentação. Com International Smile, Katy celebra uma garota cosmopolita, que “você acha ter visto em uma revista”. Soa leve e moderna, tal como a mulher descrita pela música deve ser. Ghost fala sobre uma ausência que, agora, não machuca mais. Apenas assombra. A batida do refrão traz uma dinâmica para música que faz com que ela não seja apenas uma canção dolorida.

Katy Perry já havia dito que todas as dúvidas dos fãs sobre a sua vida pessoal seriam respondidas pelas suas canções. Assim sendo, Love Me deixa clara a luta que Katy Perry travou com a própria maneira de se enxergar (“Às vezes eu gostaria que a minha pele fosse uma fantasia / Que eu pudesse apenas abrir o zíper e tirar”), e também deixa claro que agora está tudo bem. Afinal, ela aprendeu uma lição importante. “Eu vou me amar da maneira que eu quero que você me ame”, ela repete no refrão.

 

Em This Moment, o que manda é o já batido Carpe Diem. Com uma bela roupagem pop, alguns lugares comuns e sintetizadores bem colocados, a música é uma ode ao momento presente. Double Rainbow retrata o encontro duas almas gêmeas (oi, John Mayer?). É uma música agradável e leve, com sonoridade nostálgica – mas não se destaca.

A artista nunca escondeu que a sua separação de Russel Brand foi um momento delicado – e com By The Grace of God ela relata o quão difícil foi. É a música mais pessoal de Prism, em que Katy Perry expõe toda a sua fragilidade. O arranjo é tão simples quanto deveria ser, se resumindo a apenas um piano até chegar no refrão – em que atinge um ápice, juntamente com os vocais de Perry.

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