Martinho da Vila

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Martinho da Vila | Créditos: Divulgação/Marcos Hermes

Martinho da Vila segue à risca o mote de levar a vida “devagar, devagarinho”. E, aos 75 anos e 45 de carreira, não é fácil para o sambista enfrentar um batalhão de repórteres que se juntaram para ouvi-lo sobre o lançamento do Sambabook Martinho da Vila (Musickeria), projeto que chega às lojas em várias formatos: CD duplo, CDV, blu-ray, discobiografia, fichário de partituras, portal na internet e aplicativos para smartphones e tablets.

O projeto, que consumiu R$ 2,1 milhões segundo o sócio da Musickeria Luiz Calainho, traz 24 artistas interpretando os maiores sucessos do músico. Martinho é o segundo homenageado do projeto, que tem patrocínio da Petrobras, Itaú Cultural e Prefeitura do Rio de Janeiro, começou com João Nogueira e deve ter pelo menos mais oito nomes, um por ano.  

Veja entrevista com Martinho da Vila e Luiz Calainho sobre o Sambabook

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Sobre as conversas com jornalistas, Martinho abriu o jogo. “Tem o seguinte, conversar, a gente pode conversar uma tarde inteira, não cansa. Mas entrevista, não, eu tenho que pensar, tenho que mandar recado, atingir o objetivo. A cabeça, quando termina, você está cansadão”, afirmou o sambista, que comentou sobre a abertura do samba para os gays: “O samba, como sofreu preconceito a vida inteira, foi mais despreconceituoso”. E tratou com naturalidade a identidade gay da filha Mart´nália.

Os shows de lançamento do projeto serão nos dias 22 e 23, no Centro Cultural João Nogueira, no Rio de Janeiro, e nos dias 31, 1º e 2 de junho, no Auditório Ibirapuera, São Paulo.

A reportagem do Virgula Música foi a sétima equipe a falar com o músico nesta quinta-feira (16), no Itaú Cultural, em uma maratona que começou com uma entrevista coletiva e se arrastou por duas horas e meia. Diante disso, prometemos a ele que faríamos perguntas diferentes das que ele costuma responder cotidianamente.

Martinho, você está lançando esse projeto em São Paulo, cidade que já foi tida como “túmulo do samba”, como que é isso pra você?

Não. Para mim, São Paulo nunca foi túmulo do samba. Essa frase é do Vinicius de Moraes. E ele me disse que fez isso para provocar, só para sacudir um pouco e não era o que ele achava. Aliás, naquele tempo, o samba em São Paulo estava muito forte.

Era um período que tinham as casas, Jogral, Igrejinha… Tudo casas de samba que tinha aqui. Eu, musicalmente, sou paulista, porque eu surgi no festival da Record aqui em São Paulo.

Em 67?

67. O meu primeiro sucesso foi em São Paulo.

Então o público daqui sempre compreendeu sua música, foi importante?

Sempre, sempre, sempre. Naquele tempo, tinha os artistas do Rio e os de São Paulo. Os artistas de lá não faziam sucesso aqui. E todo artista do Rio gostaria de fazer sucesso em São Paulo porque vendia muito aqui. E todo artista paulista gostaria de entrar na parada do Rio porque irradiava para o Brasil inteiro. Então, muitos artistas nem entraram no Rio.

E o meu primeiro sucesso no festival, Casa de Bamba, o Jair (Rodrigues) gravou aqui, eu gravei logo em seguida. E foi um grande sucesso aqui. Lá no Rio não tocava no rádio.

Tem uma história de que a sua mãe não gostou muito dessa música?

Eu fiz essa música de brincadeira. “Lá em casa todo mundo é bamba, todo mundo bebe, todo mundo samba, xinga”. Ela falava, “é mentira”. “Foi legal a apresentação, tudo bem, eu gostei, mas essa música é maior mentira”.

Falando em mentira, um de seus maiores sucessos, Mulheres, é quase uma apologia à poligamia, mas você é absolutamente monogâmico, casado com a mesma mulher há 20 anos, como é viver esses dois papéis tão diferentes, no palco e na vida particular?

A música Mulheres, inclusive, tem gente que vem falar, “Martinho, aquela tua música é genial”. E aquela música não é minha, quem fez foi o Toninho Geraes. Eu dei uns pequenos toques na música, nem justificava uma parceria. Aí, eu digo, eu respondo assim, eu canto as mulheres do Toninho. Dei uma cantada nas mulheres dele só na música.

O sonho masculino, de todo o homem que tem uma vida sentimental muito ativa, chega um tempo que o sonho de mundo é ter um grande amor, ter uma mulher. O sonho é esse, e eu atingi esse espaço.        

Existe uma polêmica no hip hop, se há espaço ou não para os gays no gênero. Enquanto no samba, historicamente, existe uma abertura maior, inclusive, vários grandes sambistas eram e são homossexuais. Você acha que o samba está à frente nesse aspecto?

Quem sofreu preconceito, geralmente, é a pessoa mais despreconceituosa. Quem já sofreu na pele. O samba como sofreu preconceito a vida inteira, ele foi mais despreconceituoso. Nas escolas de samba, passista gay é o que mais tem. Carnavalesco, que organiza aquilo tudo, grande parte é homossexual. Tem um que não é, que ele até brinca. “Sou Carnavalesco, não sou gay, mas não tenho nada contra…”.

Quer dizer, a gente  nunca teve esse problema, não. E no samba teve muitos compositores que eram gays. Eles nunca saíram do armário, como se diz hoje, porque era um tempo em que ninguém saía do armário. Mas tem vários, que eu não vou citar os nomes aqui, não eram nomes declarados, mas muitos, muitos, grandes compositores da música popular, eram homossexuais, tranquilamente.

E você acha que o artista hoje tem de dar exemplo. Ele ajuda a abrir a cabeça da sociedade?

O artista tem que fazer a sua arte. E às vezes a arte dele é que pode servir para uma coisa ou para outra, mas eu não acredito em arte feita para um movimento, eu não acredito em arte nesse sentido.

E a Daniela Mercury, você achou legal ela ter saído do armário?

Eu achei uma surpresa porque a Daniela é uma maravilha. Ah, rapaz, eu falei, não é possível. Só por isso, ela é muito sensual, muito feminina, muito desejada. E, de repente, foi uma surpresa.

A Mart´nália, sua filha, é abertamente homossexual. Ela inclusive diz, meu pai tem as mulheres dele e eu as minhas. Então, isso não é um tabu dentro de casa?

Eu sempre convivi com isso, acho muito normal. Eu só achei estranho esse mundo quando há muito tempo eu fui cantar em um clube gay de Amsterdam. O cara me avisou que o clube era gay e tal, mas que o show não era para gay, que eles tinham alugado o clube para fazer o meu espetáculo.

E as pessoas iam, normal, compravam ingresso, e depois iam embora. Mas era um clube gay e ele me avisou que muitos iam estar por lá. E na hora do ensaio, à tarde, o clube era deles, eu achei estranho que eu nunca tinha visto gay com comportamento “normal”. O gay para mim era uma pessoa afetada, aquele que era chamado de “veadão”. E eu via senhores, direitos, de paletó e gravata, fazendo carinho no outro. Aquilo estranhou muito porque eu não estava acostumado. Mas foi só.    

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