Zé Pi

Jonas Tucci/Divulgação Zé Pi

Se navegar é preciso, Zé Pi encontrou inspiração no mar para encontrar o conceito de seu álbum de estreia. “Rizar vem do vocabulário náutico, significa colher os rizes (cabos) da embarcação, você colhe os rizes para diminuir a área vélica, diminuindo assim a velocidade do barco. Numa tempestade por exemplo, você diminui a superfície da vela que está em contato com o vento, pois se não o fizer, estará em apuros”, resume ele, aposta da nova música brasileira, que lança o disco Rizar com show no Sesc Pompeia nesta terça (21), com participação especial de Leo Cavalcanti.

“Usei este verbo como metáfora, o barco sou eu, o mar é a vida, imprevisível, pode mudar de uma hora para outra e te pegar desprevenido. Podemos escolher a direção para onde iremos navegar, mas não temos como prever o que o mar nos reserva no meio do caminho”, compara o músico campineiro crescido em Bragança Paulista.

O disco é solo, mas Zé Pi chega com uma gangue de respeito em seu álbum de estreia: Leo Cavalcanti, Tulipa Ruiz, Luiz Chagas (pai de Tulipa e herói da guitarra da banda de Itamar Assumpção), Martin Bernardes (O Terno), Karine Carvalho, Barbara Eugênia, Maurício Fleury (Bixiga 70), Stéphane San Juan e o naipe de metais  da Trupe Chá de Boldo.

Para o músico de 33 anos, no entanto, esse traço coletivo não é algo que define o momento atual. “Isto já acontece faz um tempo, se pegarmos os anos 70 por exemplo, no Brasil, era muito comum artistas participarem uns dos discos dos outros. No meu caso foi um processo natural, amigos que tem afinidade na música e na vida”, afirma.

Zé Pi, que ficou conhecido no meio alternativo com a banda Druques, também relativiza a ideia de novo. “A música está sempre em mutação, é difícil apontar o “novo”, existem muitas “cenas” acontecendo ao mesmo tempo, algumas têm mais destaque que outras. O Brasil é um país continental e miscigenado, isso se reflete em sua arte, existe muita gente boa experimentando novas possibilidades, novas misturas. A música pop é uma grande mistura, e nesta receita os ingredientes estão sempre variando”, avalia.

Já em relação sobre sua origem no interior, ele indica que isso pode transparecer em sua música. “Foi muito bom crescer num lugar onde eu pude aproveitar a natureza, Bragança é rodeada por montanhas e, ao mesmo tempo, fica próximo a São Paulo. Costumava acampar no Leite Sol, uma das montanhas que cercam a cidade. Como a família do meu pai é de São Paulo estávamos sempre por aqui, criei laços afetivos com a cidade desde criança. Acho que ter sempre este contato com o “mato” e o “urbano” me colocou numa posição privilegiada, isto pode ter influenciado minha música, mas não sei o quanto”, duiz.

No show de lançamento no Pompeia, pelo projeto Prata da Casa, o cantor e guitarrista se apresenta com Richard Ribeiro (bateria), André Lima (teclado), Moisés Moita Mattos (guitarra), Meno Del Picchia (baixo) e um quarteto de cordas: Buda Nascimento e Fábio Silva (violinos), Renato Rossi (viola) e Leandro Tenorio (cello).

Do mar à areia, da montanha ao mato, do rock à MPB, do pop à música de concerto, Zé Pi incorpora as diferentes paisagens e musicalidades do Brasil. Sua viagem nos leva ao Brasil que deu certo e sempre vai dar.

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