Um dos ritmos afro-brasileiros mais populares do país desceu de Pernambuco e instalou-se em Paraty, cidade colonial da Costa Verde do Rio de Janeiro, e fez deste pedaço de paraíso uma das suas casas mais nobres. Quem o recebeu de braços abertos foi Augusto Menezes, percussionista de Niterói com ligação familiar à música desde criança, que escolheu Paraty para morar há dez anos. Foi em 2007 que decidiu formar o grupo de maracatu Palmeira Imperial, que se prepara para celebrar seu sétimo aniversário no próximo dia 5 de agosto.

“Nosso objetivo principal é o manifesto da cultura de matriz afro-brasileira através da música aqui na região”, explica Augusto. O batuqueiro começou se a interessar pelo maracatu depois de participar de oficinas organizadas pela turma do carioca Rio Maracatu. Hoje, o grupo que fundou sete anos atrás tem cerca de 30 integrantes, nas funções de dança, percussão e estandarte, que desfilam pelas ruas do centro de Paraty. “Todo mundo conhece a gente na cidade e a população participa das exibições”, conta. Segundo o mentor do projeto, o Palmeira Imperial ganhou mais visibilidade depois de ocupar a Praça da Mangueira para ensaios e apresentações, espaço até então abandonado e associado a episódios de violência. O nome do grupo é uma homenagem à árvore muito presente na região.

Além de se apresentar com frequência na cidade, o grupo também organiza e viaja para participar de eventos temáticos e encontros com outros grupos de maracatu. Augusto relembra especialmente do encontro de comunidades tradicionais quilombolas, indígenas e caiçaras de Paraty, no ano passado, no Quilombo Cantinho da Independência, a cerca de 20km da cidade. Este ano, um encontro de grupos e mestres de maracatu nos dias 8, 9 e 10 de agosto, em Paraty, vai celebrar o aniversário do Palmeira Imperial.

O grupo é filiado à Nação do Maracatu Porto Rico, de Recife, fundada oficialmente em 1916, na cidade de Palmares, em Pernambuco. A origem histórica desta manifestação cultural não é certa, mas acredita-se que o ritmo terá surgido em terreiros de candomblé do século 18, em Olinda, ganhando visibilidade maior nas ruas depois da abolição da escravatura, em 1888. Tornou-se uma celebração carnavalesca e folclórica muito importante para a região. O maracatu reúne influências das culturas indígena e europeia, além da sua matriz africana principal. As nações de maracatu são ramificações específicas que influenciam todos os grupos espalhados pelo Brasil e pelo mundo.

“Estamos passando por uma fase de amadurecimento, com uma história rica, de episódios muito fortes. Cada vez mais queremos ter ligação com outros grupos de maracatu do Rio e de Niterói. Estamos sempre abertos a encontros e a receber novos batuqueiros que queiram embarcar nesta viagem”, diz Augusto, que investe no intercâmbio de aprendizagem e de valores para preservar o maracatu.

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