Era um fim de tarde meio chuvoso quando Patricia Marx aceitou o convite de subir ao topo do prédio onde fica a redação do portal Virgula, na região central de São Paulo, para bater um papo sobre maconha, sexo e seu novo EP, Te Cuida Meu Bem – Sextape part 1. Nada mal pra uma tarde de sexta-feira.

A cantora, que abandonou há tempos a imagem da garotinha integrante do Trem da Alegria, falou sobre os próximos passos de sua carreira musical, que soma 30 anos de estrada, e também sobre a polêmica gerada por fotos em que aparece fumando maconha publicadas no seu perfil do Instagram. Nas últimas semanas, Patricia se tornou, sem querer, uma espécie de embaixatriz do uso da erva ao levantar o debate sobre sua descriminilização. 

Patricia Marx bate um papo com a jornalista Claudia Assef na laje do Virgula

Entrevista de Claudia Assef com Patricia Marx

Após ter revisitado grandes sucessos da carreira no disco Trinta, lançado ano passado, Patricia se diz enjoada do formato álbum e lança agora o EP Te Cuida Meu bem – Sextape Pt. 1, pelo selo Lab 344. “A música se recicla o tempo inteiro. Com o formato do EP você poder comprar uma faixa ou duas. É bem melhor do que ter mais três ou quatro faixas importantes dentro de um álbum, pois a pessoa compra o disco e acaba não percebendo o quanto aquelas faixas são importantes. O EP é mais concentrado”, disse ao Virgula Música.

Eis a capa do primeiro de quatro EPs que Patricia vai lançar nos próximos meses

Dentre suas referências musicais atuais, Patricia conta que tem ouvido muito Robert Glasper, o cara que, segundo ela, está modernizando o R&B: “R&B é um estilo chato, e eu gosto. Vários artistas ainda estão numa pegada muito ortodoxa, mas o Robert tem misturado o estilo com o jazz e o eletrônico. Taylor Mcferrin, que é filho de Bobby Mcferrin, também lançou um disco muito bonito. E tenho ouvido reggae e dub, que são estilos que sempre curti”, diz. A cantora brinca: “Mas, por favor, não pense que eu vou lançar um álbum de reggae porque fumo maconha. Aliás, essa ‘tag’ é uma coisa muito complicada”.

DO TREM PARA AS PISTAS

Patricia começou a cantar no Trem da Alegria em 1984 aos 9 anos de idade. Em 87, ela partiu em carreira solo e vendeu pencas de discos fazendo baladas românticas. Em 1994, ela passou a assinar Patricia Marx (antes era só Patricia) e começou uma paquera com um som mais cool, produzido por Nelson Motta e Tuta Aquino

Até que, em 2001, ela engatou um relacionamento sério com a música eletrônica, quando lançou pela finada gravadora Trama o álbum Respirar. Ela conta, porém, que o gosto pelos beats eletrônicos vem dos tempos de criança. “Desde pequena, quando comecei a perceber os synths e quis comprar meu primeiro teclado, um DX-7, com meu primeiro cachê de publicidade aos 8 anos. Já gostava muito de disco music. Depois vieram os anos 80, timbres, sons que eu percebia que não eram acústicos: The Commodors, Earth Wind & Fire, Stevie Wonder e todos da Motown. Eu queria aprender aquilo tudo no meu teclado”, lembra.

Ficar Com Você – Patricia Marx (1995)

“Mais tarde, veio a onda da dance music, os anos 90. Eu já estava querendo abrir minhas asas e soltar minhas feras, então escolhi Nelson Motta e Tuta Aquino para serem meus produtores, naquela nova fase da minha vida. Os dois estavam morando em Nova York e por dentro de tudo o que estava rolando na noite. Lancei Ficar com Você em 95, e no Brasil estava começado a cena dance.
Anos depois, em 98, conheci meu marido, o Bruno E.,que é produtor de música eletrônica, foi diretor e criador do selo Sambaloco Records da Trama. Ele foi a pessoa que me apresentou o lado underground, mas muito sofisticado da música e também do jazz: Prodigy, Portishead, Goldie, trip hop, drum’n’bass, break beat, todas essas coisas”.

“Tudo mudou depois disso. Minhas referências eram essas quando fiz o primeiro álbum autoral produzido por ele e por outro produtor importante na cena brasileira, o Mad Zoo.”, conta a cantora.

E o meu amor vi passar (ao vivo em Londres) – Patricia Marx 

Nessa mesma época, uma gravação de um show que Patricia fez cantando clássicos da bossa nova foi parar nas mãos do grupo 4Hero, um dos mais influentes da música eletrônica. “Os caras piraram quando me ouviram cantando Eu vim da Bahia, do João Gilberto. E resolveram me mandar uma música pra eu criar melodia e letra em português. Daí me chamaram pra gravar lá no estúdio deles, porque queriam me conhecer pessoalmente. Pagaram tudo, foi minha primeira vez em Londres. A música que eu gravei no álbum deles se chama Unique. E depois eles fizeram duas faixas pro Respirar e duas pro Patricia Marx”, conta.

Menino, Patricia Marx e 4Hero

Em 2002, ela se mudou de mala, cuia, marido e o filho Arthur, então com 3 anos, para Londres e passou a frequentar as famosas festas de broken beat no clubinho Plastic People, em Shoreditch. “Aquilo parecia uma senzala. Era mágico”, lembra. “Londres foi um divisor de águas na minha vida e arte, pela ousadia e liberdade de expressão artística”, diz.

BASEADO EM MARX

Seu posicionamento a favor da erva a fez aparecer na mídia e falar abertamente sobre o tema – o que lhe rendeu muitas críticas. “Ouvi dizer que muitos pais estão achando ruim a minha postura em relação a isso. Dizem que estou incentivando, quando não é nada disso. Só achei que era hora de levantar um debate”, conta.

A cantora começou a fumar a erva aos 21 anos, uma idade que ela considera até tarde para experimentar: ‘Eu comecei a trabalhar aos nove anos de idade e minha vida era meio tipo o filme O Show de Truman. Daí eu só fui experimentar maconha quando já morava sozinha, me sustentava e não tinha ninguém pra me ‘aborrecer’’’. Hoje tenho um filho adolescente, de 15 anos, e falamos sobre o assunto. Já conversamos sobre todas as outras drogas mais pesadas e vimos documentários juntos. Já falei que, se ele quiser experimentar, tem todas as coordenadas: tem que tomar cuidado e ser equilibrado”.

Para colocar um ponto final no assunto, desabafa com tom de alívio: “Na verdade, estou com bode. Será a última vez que vou falar sobre isso”.  


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Em setembro, Patrícia leva o show Trinta ao palco do Bourbon Street, em São Paulo, para comemorar os 30 anos de carreira. Veja o flyer e o serviço abaixo:

Show: Patricia Marx – Trinta

Data: 10 de setembro, às 22h30

Local: Bourbon Street – Rua dos Chanés, 127, Moema, São Paulo

Valores: R$ 50 (cheia), R$ 30 (lista amiga). As vendas são feitas pelo call center do Bourbon (11-50956100), e direto no escritório também. 

 

 

 

 

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