Atacando de dance music: 20 artistas de outros gêneros que caíram na pista

<b>BLACK EYED PEAS</b> Os líderes da conversão do R&B americano atual às batidas eletrônicas e dançantes, graças a uma parceria vencedora com o DJ francês David Guetta.

Num espaço de quinze dias, a indústria fonográfica americana lançou dois dos seus maiores produtos em 2010: dia 16/11 saiu o álbum de Rihanna, Loud!; dia 30 foi a vez do novo Black Eyed Peas, The Beginning.

São dois titãs da música, cheios de recordes, troféus e números uns no currículo. Para ficar em dois exemplos: Rihanna acaba de se tornar a primeira artista dos Estados Unidos a vender três milhões de downloads de cinco músicas diferentes; a faixa I Gotta Feeling, dos Black Eyed Peas, é o single digital mais vendido de todos os tempos nos EUA.

Os dois álbuns têm outra coisa em comum, além do sucesso nas vendas. Eles são os representantes mais visíveis de um fenômeno que varreu boa parte da parada pop americana em 2010: a guinada em direção à dance music.

“Os BPMs acima de 120 estão na moda e o maís incrível é que muitos voltam pelas mãos e pés de artistas da cena R&B, onde os BPMs não passam de 110”, diz o DJ Mauro Borges, que acompanha de perto as mudanças da música pop desde os anos 80.

SOM DE RAVE?

Lady Gaga, Ke$ha, Katy Perry, Christina Aguilera, Nicole Scherzinger, Usher, Taio Cruz, Rihanna e Selena Gomez são alguns dos artistas que lançaram nos últimos meses singles caracterizados por BPMs mais altos e sonoridades de house, techno ou electro, ou seja, dance music. Chris Brown sampleou Calvin Harris no single Yeah 3X. Ne-Yo usou o som sintético da TB 303 em Beautiful Monster, timbre conhecidíssimo de quem frequnta raves.

Ne-Yo – Beautiful Monster

“É para onde o mundo está indo, ou pelo menos para onde deveria”, explicou a cantora americana Kelis sobre a pegada dance de seu novo single, Scream (produzido por David Guetta; seu primeiro hit, Milkshake, de 2003, era assinado pelo grupo de hip hop Neptunes).

“Mesmo que o R&B e o country ainda sejam as principais vertentes das paradas americanas, é nítido que o dance pop está mais presente”, admite Braulio Lorentz, editor-assistente da Billboard. “É só ouvir os singles de mais fôlego dos últimos meses: Tik Tok, da Ke$ha; California Gurls, da Katy Perry; I Gotta Feeling, do Black Eyed Peas.”

“Era impossível dançar os hits do Hot 100 da Billboard batendo cabelo”, brinca Braulio, “Hoje é fácil”.

OS PIONEIROS

Na década passada, a dance music foi pouco vista nas regiões mais vendidas da parada americana. Sim, aconteceram hits como Hung Up, de Madonna, Toxic, de Britney Spears, e muita coisa de Lady Gaga. Diddy (então P. Diddy, antes Puff Daddy) gravou electro com o DJ Hell depois de algumas temporadas em Ibiza. Kanye West sampleou Daft Punk em Stronger.

Rihanna mesmo já tinha flertado com essa estética no seu disco de 2007, Good Girl Gone Bad. Segundo Mauro, faixas como Disturbia e Shut Up And Drive, “ajudaram a distanciar Rihanna da imagem de sub-Beyoncé”.

Mas foram casos isolados. A sonoridade que ainda dominava era calcada em batidas lentas, quebradas, sendo o eixo hip hop/R&B/soul (ou seja, “black music”) a influência-chave do som de boa parte das músicas mais vendidas (considerando, claro, lançamentos fora do country e do rock). Em termos de atitude, o jeitão gangsta e a cara amarrada ditavam muito do comportamento.

O TOQUE FRANCÊS

Em 2009, tudo isso começou a mudar. Em grande parte, graças a um francês, quarentão, de franja esquisita e mania de fazer coraçãozinho com as mãos.

O DJ David Guetta já era bem conhecido na música eletrônica quando Kelly Rowland o escutou tocar em Ibiza. A ex-Destiny’s Child teria se emocionado ao ouvir no seu set o instrumental de When Love Takes Over. Os dois trocaram contatos e em alguns meses Rowland tinha um hit mundial cantando em cima daquela música que tinha mexido com ela na balada.

David Guetta e Kelly Rowland – When Love Takes Over

Um pouco depois, viria a tacada de mestre. Graças, novamente, a um encontro numa balada onde Guetta dava som. Quem ouvia dessa vez era will.i.am, líder do já estouradíssimo Black Eyed Peas. Nascia aí a parceria que mudaria tudo, transformando o estourado em mega-estourado: o single I Gotta Feeling.

Desde então, Guetta produziu Madonna (uma faixa que não saiu por entrave de gravadora), Akon, Estelle, Flo Rida e Rihanna. Ele também produzirá faixas no próximo disco de Britney Spears, que sai em 2011.

A colonização da alta cúpula do pop americano por Guetta ganhou reconhecimento “oficial” em março, quando a revista Billboard jogou o DJ francês na capa com a chamada “David Guetta domina – o homem que está mudando o Top 40 e o hip hop americano”.

“Aconteceu muito rápido, hoje já conheci praticamente todo artista nos EUA”, confessou Guetta à Billboard.

ABRINDO AS COMPORTAS

O sucesso das produções de Guetta abriu as comportas: começaram a pipocar por todo o canto cada vez mais artistas americanos atacando de “dance music”.

“Acho que a black music, o R&B, cansaram um pouco. Estavam em destaque desde 2003. Estava na hora de a gente ver mudanças no cenário do pop internacional e acho que é a hora da dance music”, acredita Marcelo Eduardo, diretor de programação da Jovem Pan.

Segundo ele, os ouvintes da rádio, que é retransmitida por todo o país, estão abraçando a tendência. “Temos sim, algumas músicas lançadas pela Jovem Pan no Brasil todo, caso de faixas do David Guetta, Black Eyed Peas, Taio Cruz, Madonna”

Marcelo cita como exemplo da aceitação do ouvinte o sucesso de uma faixa de dance music “pura”, ou seja, sem o envolvimento de um artista vindo de um outro gênero. “A música We No Speak Americano (Yolanda Be Cool), bomba no país inteiro. Essa música foi muito rápido para o topo dos pedidos da rádio. Além disso, as outras rádios começaram a tocar. Isso deixa clara a aceitação dos ouvintes para a dance music.”

A nova roupagem certamente não serve pra todo mundo. Muitos não tiveram problema em substituir a postura gangsta por clipes com gente pulando de braço pra cima e um DJ animadão. Mas dá para imaginar alguém como Eminem ou 50 Cent indo nessa direção?

Um exemplo de voz discordante no meio da balada é a cantora R&B Erykah Badu. Esses tempos ela questionou no seu Twitter: “Vai todo mundo ficar parado e deixar nossa música virar essa porcaria de pop techno farofa”.

Pelo menos por enquanto, o volume anda alto demais para que alguém lhe dê ouvidos.

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 Os BPMs acima de 120 estão  na moda e o  maís incrível  é que eles voltam  pelas mãos e pés de artistas da cena R&B, onde os BPMs não passam de 110!

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